Davaneios

Branco. Olhando esta folha penso o quanto podemos fazer com algo bem simples, mas a simplicidade não é simples. Complexo? Nada na vida é simples ou fácil. Escrevo para manter-me vivo, para manter-me pensante, para manter a sanidade que ainda resta no fundo de minha alma.

Branco, o fundo de meus olhos frios. Preto, o fundo do olhar severo. Tudo coexiste, resiste, insiste. Sempre há algo que não podemos notar que nos faz bem, ou mal. O que é mal para você, provavelmente não será o mal pra mim. Antagônicos são, simplesmente, questões de ponto de vista, facetas de um mesmo princípio. Normalidade, para você é ser padronizado, para mim é seguir um rumo diferente da massa.

Hipócritas maiores, submissos menores, vendo as pessoas assim até chego a pensar que a vida pode ser um grande jogo de tarot, onde podemos ver os fatos e resultados, mas os meios, muitas vezes, nos são ocultos. Quase todas as pessoas são tão previsíveis que não precisamos do tarot para os definir, o próprio padrão as define. Felicito àqueles que conseguem ver através das máscaras, olhar o fundo da alma alheia e saber de quem se trata.

Os sentimentos que um dia enterrei estão de volta com força incrível, mas a diferença é que hoje eu não mais os enterrarei, aprenderei a conviver com eles. Confesso que já havia esquecido como é deliciosamente amargo o gosto peculiar da frieza. Ela me fascina e revigora, mas também me machuca muito. Dói no fundo d’alma ter que ser frio com quem amo, mas é assim que tem que ser. Sei que posso fazer diferente, porém sei que não trará resultados, e ver que todo meu esforço será novamente perdido me destrói por dentro.

Não sou santo, e nem quero ser, afinal santo é um conceito muito banal. Também não sou um diabinho, e nem o quero ser (ressalva aos fetiches). Como eu disse anteriormente, bem e mal são conceitos, tão banais quanto santos e demônios, são padrões impostos por uma sociedade corrompida e incapaz de vislumbrar um palmo diante o nariz, muito menos exergar o que está ao seu redor. Felicito àqueles que podem ver sem enxergar, sentir sem tocar, andar sem se mover, viver sem vivenciar, felicitos àqueles que possuem imaginação e coração de criança.

Dor, a sinto tão forte quanto sinto amor. Sinto o peso do meu próprio corpo me jogar ao chão, o peso da responsabilidade pesa sobre meus ombros, o mundo esmaga minha cabeça, minha base e sustentação está abalada, minha estrutura não está mais firme. Tudo se move quando o vento mostra seu poder, mas eu ainda resisto pois sou um filho da deusa, e não irei me render somente porque o mundo quer pensar ser melhor. Posso ser tão grande quanto devo ser, posso ser tão poderoso quanto devo ser, mas infelizmente não posso assim ser. Força e poder fascinam qualquer um, mas ninguém nota que junto deles sempre vem a responsabilidade, quanto maior, mais forte e mais poderoso, maior é a responsabilidade que cai sobre ti.

Sim, a responsabilidade pesou sobre uma base que ainda não está preparada para tal peso, o cultivo acabou sendo apenas para o sustento próprio, para que a estrutura não seja destruída. Não posso agora ajudar os outros, tenho que primeiramente me ajudar. Não negarei se gritarem em meu auxílio, não fugirei à luta, não me renderei à batalha, apenas irei recompor-me para emergir como a grande fênix, que sempre retorna explendida e erradiada de luz, brilho, força, poder, magnitude e soberania.

Agora é a hora de crescer e estruturar, o sol já se fortalece, a terra está com seu poder extendido, a corrida já começou e ainda não terminará, temos esse momento para nos previnirmos e saciarmos a sede de força. Irei mostrar que posso, e verás que realmente não deves duvidar, e sim aceitar. Que sejam espalhadas as sementes.

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