Chapter 2012 – Act 01, Page 06

A Cindy me chama em mais uma manhã nebulosa, ouço seu chamado bem distante e já me preparo para calá-la. Sua voz soa melosa ante meus ouvidos, e no sono embalo novamente. Nem minha mente, nem meu corpo se esforçam para sair do reduto onde a alma tem seus momentos de sossego. A luz irradia o quarto escuro e mostra que já é hora de despertar, relutando, saiu da cama e vou direto pro banho, zonzo por pensar que finalmente chegou a tão sonhada e sagrada sexta-feira.

Carros passam, pessoas falam, sons tão altos quanto os das gralhas ecoam pelas ruas, vejo toda a massa se mover uniforme, todos caminham para em algum lugar chegar. Felizes são os poucos que conseguem enxergar as lacunas que a sociedade não preenche. Enquanto a massa anda ligeira, deixam para trás a senhora descalça que vende doces na calçada. Quanta humilhação para uma pessoa só, ninguém volta o olhar para aquela pobre e indefesa criatura, que no rosto estampa a amargura contida.

Passos largos em direção à qualquer lugar, meu ser caminha para onde chegar, e chegar é tudo que mais quero. Chego em meio a calma, observo fielmente a mágica do tilintar da janela se abrindo e me mostrando o mágico mundo de fundo preto, que se esconde atrás do vidro, e que me permite escrever essas letras. De tantas oportunidades que tenho para mostrar meus reais dotes, passo o dia a montar coisas das quais me decepciono por saber que quando haviam cinco, não conseguiram mostrar o valor que um têm. Hoje, com amargura ajusto em concretos dois dias as atrocidades que cinco fizeram, ou simplesmente não fizeram.

A tarde chega firme e mostra que a Mãe ainda vive, ventos soltos e água mostram uma pequena parte do poder da mãe. Sim, ela trouxe consigo aquilo que não queria sentir, é tão difícil explicar o que sinto, somente vivendo a experiência é possível compreender. Mas, não anseio isso para ninguém, nem mesmo para aqueles que não me querem o bem. Sinto que a noite será longa e vasta, assim como a estrada que trilhamos em nossa jornada, e que um dia chegará ao fim.

Tenho a sensação de que estamos vivendo novamente o mesmo que nossos antepassados viveram, e espero que possamos aprender com seus erros e acertos. Afinal, nossos antepassados são os Ancestrais. Lembro-me sempre de pedir à Deusa como criança, pois ainda sou uma criança. Hoje não quero crescer, mas já sou grande como as pessoas grandes, tenho responsabilidades de pessoas grandes e, às vezes, ajo como uma pessoa grande; mas sempre vejo o mundo como os pequeninos, vivo os momentos com a simplicidade e majestosidade que somente os pequeninos podem viver.

De repente, tudo fica escuro e não se pode ver nada além que teu próprio corpo. A respiração torna-se fraca e o coração quase para, é agora que percebemos que o tempo passa e se não aproveitarmos a vida, ela se esvai sem ao menos nos dizer adeus. Viva e ame como nunca viveu ou amou, sou contra Ágape agir por si só e nos transformar em escravos de tuas vontades insanas, mas, às vezes, tais sensações revigoram o ser e nos tornam menos frígidos.

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