Chapter 2012 – Act 01, Page 21

Lembro-me que quando cheguei em casa o Sol já se fazia presente na fria manhã do sábado, logo tendo eu corrido para a cama, para me refugiar do claro e frio raio de Sol. Porém, logo sou despertado pela mamãe, que passara por uma pequena cirurgia há quase uma semana, e meu humor torna-se um dos piores que se pôde ver, sentir e presenciar pelo dia todo.

Eis que minhas tarefas começam cedo, tendo que ir ao hortifruti comprar alguns vegetais e legumes para preparar uma sopa reforçada para mamãe, sentia-me como um zombie andando pela rua, procurando com olhos perdidos os mais frescos e saborosos legumes, passando os dedos finos por entre as frutas, como se pudesse sentir seu aroma e frescor apenas com a ponta dos dedos. Sim, escolher bem os alimentos cedidos pela natureza é uma arte, aliás, é mais que uma arte milenar, é um verdadeiro dom.

Meu dia passa rápido, porém compassado, finalizo todos os meus afazeres com certa lentidão, sem nenhuma palavra dizer, sem nem mesmo ter o que pensar e o que fazer para que minha mente despertasse, creio que ela ainda dorme enquanto escrevo. E tudo se parece descabido, sem sentido e nem mesmo forma, meus olhos estão fundos e perdidos, meu corpo cansado e debilitado, minhas mãos fracas e pernas moles. Quase em transe, eis que escuto o doce som vindo por além das brumas, o som que ecoa por todo meu ser.

A voz doce da Mãe me faz sentir aquilo que há muito não sentia, uma calor me enche o corpo, me acalenta o coração e me faz corar com o rubor de tal sensação. Então, a visão tornou-se clara e por entre as brumas a vi, dizendo claramente que precisaria que eu cumprisse meu juramento agora mesmo, tendo de resguardar-me em corpo e mente, cuidando do corpo e eliminando as toxinas que vim ingerindo durante esses longos anos nesse mundo. Não deverei beber álcool, e nem poderei permitir que meus cabelos sejam tocados, até que chega Beltane; há muito que a Mãe não me cobra com tal veemência, fazendo com que eu siga suas ordens e realize seus desejos com afeição.

E logo nesta noite, minha mente, corpo, alma e juramento é testado, quando entregam-me uma taça de vinho branco doce para que eu desfrute mais alegre da festa que promovem os amigos, tomo o cálice em minhas mãos e aprecio seu aroma, mas em nenhum momento falto com honra a meu juramento, deposito o cálice à mesa, tomo um copo de refrigerante como se fosse o hidromel mais suave de toda a terra. Sei que a mãe testou minha força e capacidade, e sei que durante esses longos meses que se estenderão até Beltane, serei testado, e muitos dos testes serão os mais ímpios possíveis.

A noite se torna longa e proveitosa, desfruto da amizade leal dos amigos e conhecidos, e até mesmo travo uma discussão sadia com uma mulher que não sou capaz de contrariar, é impressionante com ela conseguiu meu respeito tão rápido, que não consigo desagradar-lhe. Sei que ela quer meu bem, à sua maneira e pensamento, meu bem será ficar junto à ela na fé de seu Deus. Tenho conhecimento o suficiente para não desagradar aqueles que me desejam a proteção de seu Deus, pois, afinal de contas, vosso Deus é uma visão extirpada de nossos deuses, mesmo que eles admitam.

Por fim, meu corpo repousa em total sinergia com a natureza, e deixo fluir todas as energias contidas em minha mente, corpo e alma.

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