Chapter 2013 – Act 01 – Page 03

Noite escura e manhã fria, essa é a combinação perfeita para um dia cinza e chuvoso. Meus pensamentos se perdem em devaneios, minha mente grita, meus olhos ardem e desperto. O despertar é uma das únicas coisas que realmente sinto com todos os meus sentidos, a dor do despertar é imensurável, e o prazer também. É estranho afirmar isto, logo eu que sempre disse que perdemos cerca de 25% da nossa passagem na Terra dormindo, não sou daqueles que apreciam dias e noites a fio de sono ininterrupto, mas quando tenho a oportunidade de relaxar a mente e o corpo, a aproveito como se fosse a última.

Sempre tentando dominar o corpo e a mente, mas nem sempre tenho êxito em tais tentativas. Dor, não sinto mais, mas o pesar dos dias me pesa nos ombros e, às vezes, esmoreço como lama sob uma pesada pedra; às vezes, sou a própria pedra esmorecendo outras lamas. De que me adiantas ser implacável, se a eternidade é solitária? De que me adiantas escrever lamúrias sobre pedras, se um dia as águas do destino as apagará? A vida é cheia de altos e baixos, e sempre disse que devemos aprender com eles, e ir muito mais além das fronteiras da mente humana, devemos transcender o corpo, a mente e o espírito.

Que aqueles que nunca caminharam descalços sobre a terra fria não me encontrem, que aqueles que nunca sorriram com o canto das gaivotas não me encontrem, que aqueles que nunca ouviram os sons da montanha, se percam quando tentarem seguir meu caminho pela mata, e volte para onde veio. Que aqueles que maldizem, sejam malditos por três em cruz, assim como os quartos do ano. Permitam deuses que eu não precise aconselhar sem ter sido solicitado, que eu não precise repreender a mão humana com a força divina, que eu não precise aconselhar aqueles que não o querem ouvir.

Sigo meu caminho por entre os ciprestes verdes que margeiam o caminho estreito, às vezes os espinhos do vime roubam-me sangue para que nunca esmoreçam e caiam perdidos pelo chão, chão que protejam com suas forças para que ninguém encontre aqueles que não procuram mais. Ouço vozes na clareira, vejo jovens damas dançando e cantando como nos velhos tempos, mas não passa de uma visão, assim que a lua se esconde atrás da densa neblina, tudo volta ao habitual silêncio. Talvez ali seja mais um portal perdido para Summerland, ou talvez aqui, o veu se faz tênue.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s