Chapter 2013 – Act 06, Page 04

E então eu diria, por que tão só rapaz? E o que poderiam me responder? Responderiam, prefiro andar só por ruas conhecidas, do que andar desconhecido por rua apinhadas. Então eu pararia e pensaria, que razão teria ele? Toda razão, com certeza louco seria eu de caminhar tão cheio de espaços vazios, tão cheio de nada que me completasse, ou até mesmo cheio e farto de tudo aquilo que me faz mal. De nada mais importa agora, pois andarei só, porém sou muitos, e na calada da noite que me faço ser, pois sou também o escuro da noite e o calor do frio, sou a contradição do que não foi dito, sou calado no ponto onde tu navegas, sou eu então as águas turvas que mancham as margens dos rios onde tu te banhas, sou eu, e apenas eu que viajo e pelejo pelos ares, cantando e ecoando canções e sonatas que despertam os mais temíveis seres, que se calam na calada da noite como lobos que espreitam uma presa. Sou eu e apenas eu, tão somente eu que não há espaço para pensar em me seguir, sou como o lince negro que assombra os vales de cordeiros, sou como a raposa esquecida que semeia o pânico nas alcovas, sou o cão doméstico que se acalenta na mão que lhe afaga. O afago nem sempre é o melhor caminho, ainda mais quando o apego se torna presente, e o presente nada será quando o passado ressurgir e nos ensinar novamente que devemos mudar, mudar para melhor e se espelhar na própria Natureza, que sempre fora sábia e ligeira, ligeira para se manter viva apesar das mudanças, das nossas mudanças, das mudanças que proporcionamos à nossa alma. Alma essa que vive interiorizada em cada um dos nosso atos e gestos, alma que é translúcida e tênue, que se transforma quando corrompida e brilha quando exaltada. Quero ser e viver, quero morrer e correr, quero amor e partir, quero ter e ser, quer ir, ir além da imaginação e viver o inexplicável, contar o inenarrável, e sentir o que não se sente. Quero ser, e apenas ser mais um ser errante que caminha em direção à evolução, quero me moldar aos tempos assim como as árvores, que semeiam novos frutos e acolhem os ventos como parte de sua morada. Mas viver com o vento em sua morada é pedir para não parar de se movimentar nenhum instante, e o que seria do tempo sem os instantes, todos são raros e fugazes, todos são muitos e muitos acabam sendo poucos, e poucos são aqueles que compreendem o que digo, menos ainda serão aqueles que dirão, ELE TEM RAZÃO.

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