Chapter 2013 – Act 07, Page 09

Acordar e ainda assim sentir o torpor da mente e do corpo, acho que pela primeira vez ei de descrever a sensação de como é despertar de um sono relaxante induzido por ervas místicas e ilícitas que aumentam os meus sentidos e aguçam minha percepção, percepção essa que por anos fora turva e ao mesmo tempo límpida e clara. É como tentar ser livre, fugindo da minha própria mente e das vozes que ecoam nela, é ter que lutar pela razão que há muito te deixou, como quem perde a um irmão, mas hoje eu sei que para crescer temos que tentar, correr o mundo e soletrar todas as palavras que vierem a mente. É ter que esperar e esperar o dia que seremos fortes para quebrar as correntes e navegar por águas mansas e agitadas, que ainda só existem na minha mente cansada. É ter razão quando não há sentido, é seguir quando não há por onde, é correr enquanto está parado e mudar para lugares antes nunca visitados pelo homem, é correr os perigos da vida sem temer a morte e seus dotes. Viver e ter a sorte de estar vivo, sentir cada parte do corpo com uma intensidade incrível, sentir o frio intenso do inverno, e o pulsar de cada gota de sangue, sentir todos os cheiros, perder momentaneamente o paladar, e sentir todos os prazeres da vida de forma única e intimista, sentir o fogo e o gelo coexistindo na mente e sentidos no corpo, fechar os olhos e sentir todos os fluídos do corpo te erguendo no ar, enquanto você para de prestar atenção no tempo e no mundo, começa a viver aquele momento intensamente, ouvindo cada barulho, vendo cada forma, sentido todas as energias, vivendo e sentindo que está vivo. Viver pela razão que me deixou há anos, como quem deixa um irmão.

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