Chapter 2013 – Act 07, Page 15

Vaidade grita, olhos estão mudos, as visões turvas, a boca seca, o gosto amargo, a respiração cessa. Nada. O silêncio exprime todo a sensação de controle e sagacidade, até mesmo de uma atemporalidade nefasta que assola o ímpeto disforme de um ser cruel e esquecido, a dor lateja na alma e reacende a fogueira em brasa de uma realidade dura e esquecida, talvez, aqui ninguém poderá escapar da desilusão cruel que a vida propõe a cada pessoa, pulverizando a dor em mil pedaços e potencializando sua força para que não se dissipe no mar vil e cruel, que hoje está parado como uma represa de castores, pronta para rompida pelas turbulentas águas do rio que corre em disparada para reencontrar suas origens. E quais origens devemos seguir, se as minhas são ancestrais e também são contemporâneas? Talvez não haja um verdadeiro talvez, talvez nada passe de uma desilusão cretina de uma realidade dura.

Som. Como perceber que ainda há uma centelha de chama que respira firme e forte no peito, aquecendo o coração e iluminando a visão que se torna cega para a realidade efêmera daqueles esquecidos pelo mundo e sua sociedade doente. A música me liga com o mais íntimo epíteto do meu ser, transcende as gerações e reacende a memória, agora posso lembrar dos ensinamentos antigos, do campo de batalha, da vida que se esvaiu inúmeras vezes do meu corpo nu, posso sentir o cheiro podre da carne desfazendo em pedaços nefastos, posso sentir o cheiro do medo, aliado ao sangue e ao suor, posso sentir e ver novamente o passado. Reviver a lembrança adormecida é uma sensação excepcional, sentida por poucos e almeja da por muitos, mas posso garantir que hoje em dia, isso não mais me assusta, pois sei reconhecer aquilo que fui um dia, e o que posso ser no futuro.

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Amor, simplesmente acontece …

Aprendi que é certo assumir todas as formas de amor, e que não devemos nos punir por manifestá-las, aliás, pela Manifestação do Amor. Levemos em conta que é o amor que nos manipula, e não nós que o manipulamos, e o amor carnal pra mim é natural, assim como foi para os meus ancestrais, e eu não irei corromper a natureza do amor, com esses conceitos mesquinhos dos cristãos apaixonados.

Há muito tempo decidi que não iria mais me deixar levar por Ágape. Passei um bom tempo sem que a forma de amor maior agisse por si só na minha vida, confesso que por medo de amar novamente. Conquistei muitas coisas sem amor, e foi quando perdi ‘tudo’ o que não havia sido conquistado com amor que acordei e percebi que de nada vale a vida sem amor. Foi então que compreendi que nada somos se não amarmos, e logo tratei de afogar nas águas fundas do mar o amor reverso, que bem alimentado por infortúnios se transforma em algo tão poderoso quando o próprio amor, o Ódio.

Em constante transformação se encontra meu ser, aprendendo a lidar com todas as situações que o amor me impõe, e desde então nunca mais recriminei as manifestações dele, por serem algo que ultrapassa os limites da compreensão do meu ser, ainda mais quando se faz presente nos rituais das grandes celebrações. Amar, respeitar e viver, com o tempo vou melhorando aos poucos, e a cada ano me reencontro com o amor maior, e a cada encontro ele se mostra mais poderoso e autêntico, pois quando acreditamos nele, ele se intensifica e age por si só.

Tenha cuidado em lidar com o amor, seja ele Eros, Philos ou Ágape, pois eles entram na sua vida, transformam tudo e quando partem para deixá-lo digerindo seus ensinamentos, podem causar uma verdadeira desordem na sua vida, sentimentos e noções de amor e amizade. Não se prenda aos padrões modernos das formas de amar, pois no amor tudo é válido, tudo pode ser feito e tudo pode ser compreendido. Ame sem medo de sofrer, pois o medo enfraquece o amor, e não somos nada sem amor, além de um saco de ossos e carne vazio de sentimento, mas rico de riquezas mundanas e desnecessárias para a alma.

[Escrito em 17 de julho de 2012, e tão atual hoje, quanto à época.]