Chapter 2013 – Act 07, Page 19

Olho para fora e nada vejo, exceto a cena do teu enterro. Não me espanto, muito menos me desespero, afinal sou eu devo fazer as orações e pedir à deusa que lhe acolham em seu seio, e lhe acompanhe nesta transição entre os mundos, minha paz e calma te reconforta, e então vem a grande mãe e a senhora do além vida, elas vem sorrindo lhe receber e te acompanhar, e então meu canto entoa pelos ares, minha força é motora e as lágrimas escorrem lisas pelo meu rosto, sinto a dor pulsante da perda e sei que agora tu estás bem, mas … Olho para mim mesmo e vejo que choro e sinto realmente a dor da perda no meu peito, algumas pessoas me olham de soslaio, pois realmente estava entoando “O rio está correndo, fluindo e crescendo; O rio está correndo de volta do Mar; Mãe Terra me leva, sempre criança; Mãe Terra, me leva de volta para o Mar.”, e com as lágrimas molhando minha camisa na manhã fria, me recomponho e fico pensativo, passando o resto do percurso tentado aceitar a visão. Sei que é alguém próximo, sei também que quem me ajuda a fechar seu esquife é meu irmão, que tem a mesma dor estampada em seu rosto, tentando manter sua masculinidade de não verter água dos olhos. Talvez tenha sido um aviso de que o fim de uma jornada esteja chegando para todos nós, e você deverá partir de volta a Summerland, sei disso, pois fui eu quem lhe abri o caminho por entre as brumas. É interessante pensar sobre, mas prefiro afastar essa lembrança por alguns momentos, talvez seja melhor assim, pois tenho a certeza de que não estou totalmente preparado para vê-la partindo, mas agora ei de ficar, se tua hora chegar, saiba que aqui estarei para te auxiliar em sua nova jornada, te auxiliar na passagem, e os deuses nunca nos desampararam. Blessed be.

Medo – Guy de Maupassant

Foi no inverno passado, numa floresta a nordeste da França. A noite chegou duas horas mais cedo, de tal modo o céu estava sombrio. Tinha por guia um camponês que caminhava ao meu lado por uma trilha mui to estreita, sob uma abóbada de abetos através de cuja ramagem uivava um vento furioso. Por entre a copa das árvores, via nuvens correndo em desordem, nu vens enlouquecidas que pareciam fugir de algo aterra dor. Às vezes, sob uma rajada violenta, toda a floresta se inclinava na mesma direção com um gemido de dor: e o frio me invadia, apesar do meu passo rápido e das minhas roupas pesadas.