Descobrimento do meu ser, o duelo entre mente e corpo

O pior momento da minha edificação, a dualidade entre a mente e o corpo me deixou entorpecido, receoso e estranho, não conseguia caminhar por entre os mundos sem ter o medo de cair de cabeça num dos lados do meu castelo. Lados do meu castelo? E então percebi que meu castelo estava dividido, mente para um lado e corpo para outro, o pânico começou a me conquistar e dominar, pois não compreendia como um ser pode se dividir em três, Eu, minha Mente e meu Corpo, e não sabia realmente quem eu era, muito menos como era a senhora da minha mente e o senhor do meu corpo. A Mente queria expandir os horizontes e deixar a brisa entrar e varrer as paredes frias do castelo, o corpo queria manter a escuridão completa no castelo para reinar a mesma calma e segurança, e eu, sinceramente não sabia o que queria. Passamos a viver separados, a Mente desbravando o castelo, destemida e senhora de si, o Corpo tentando impedi-la a todo custo, e Eu fugi para o topo do castelo, tentando me manter seguro caso aqueles dois resolvessem se matar, e me levar junto como consequência de seus atos. Voltar ai vale, não é a melhor ideia, tenho certeza disto, mas acho que é por causa dele que hoje convivo muito bem sozinho e no escuro.

Com o tempo, e recorrendo à mãe Cerridwen, senhora da magia e do conhecimento, fui compreendendo todos os desígnios que ela havia me dado, compreendi que eu deveria comandar a Mente e o Corpo, a Mente deveria comandar o Corpo, e o Corpo deveria ser seu cervo fiel. O tempo foi passando, minha memória ancestral voltando, e fui compreendendo que sou Eu o senhor do meu castelo, Eu decido como será seu futuro, o meu futuro. E então acordei para a realidade, há muito havia me perdido por entre as brumas frias que envolviam meu castelo e ver o Sol agora já era impossível, realmente estava perdido no meu mundo, sem ter como sair dele, estava longe e distante de tudo e todos que eu conheci na realidade mundana, aquele que deviam ser meus tutores não mais estavam presentes, e eu estava sem rumo, vivendo no mundo dos vivos como um zombie, apenas agindo por osmose. Eis que decido colocar ordem no meu mundo, para poder ressurgir forte e firme das sombras e cinzas na qual estava vivendo durante anos, comecei lembrando como era usar meu poder: o auto controle.

Devo me controlar, pois sei que não há motivo para pânico e o medo é apenas uma sombra distorcida de uma realidade não conhecida, e não ei de me calar e petrificar diante do desconhecido, afinal vivi muitos anos longe da batalha, e meu passado ancestral é marcado por muita magia, batalhas, e vitórias. Controle, significa que devo assumir o comando e vencer essa batalha interior, pacificando os duelos entre a mente e o corpo, tendo a certeza de que esta tarefa não será fácil, me tranquei na torre Norte e comecei a acender as chamas da memória, lembrar dos ensinamentos e dos aprendizados, aprender novamente a usar a magia para construir. Por osmose, usei minha magia para me refugiar num mundo meu, e só meu, lancei feitiços e encantamentos no meu castelos e o deixei intransponível e totalmente seguro, tão seguro que agora eu mesmo não conseguia sair dele, uma grande ironia do destino, sou prisioneiro da minha própria magia. Agora descobri minha força, sei do que sou capaz e sei que posso desfazer qualquer encanto, posso transformar a energia e neutralizá-la, mas ainda preciso de muito treino e disciplina, durante anos meu inconsciente me dominou e me trancou no fundo da minha mente, mas agora que ela está solta e rebelde, eu conseguiu fugir e me dominar. Domínio, agora sei que Eu mando nos meus atos, não serei mais controlado por brigas fúteis da minha Mente e do meu Corpo, tenho que dominá-los.