Conquistando a Mente

É chegado o momento mais difícil dessa batalha, sair do topo da torre Norte, lugar que se tornou meu mais seguro refúgio, aqui há luz natural do dia e da noite, mas não há Sol nem Lua no céu cinza lá fora. Por tanto tempo convivi sozinho, que me coloco em voga se realmente ei de conseguir dominar a Mente e o Corpo, da mesma maneira que me tornei forte e aprendi muitas coisas, com toda certeza, eles também tiveram as mesmas oportunidades. Numa manhã gélida, vejo um ponto de luz fria no céu cinza, é aquele ponto que me inspira e me encoraja a sair da torre e descer às sombras frias e solitárias do meu castelos sitiado por dois insanos que brigam como cão e gato, Corpo à leste e Mente à oeste, tudo está calmo e ligeiramente estranho, essa calmaria alerta meus sentidos e me faz lembrar do lago escuro nas terras do castelo, a calmaria na orla serve apenas para disfarçar o agito misterioso do mar que se esconde atrás do horizonte limitado pelos meus encantos.

Caminho com cautela para não chamar atenção, mas já é tarde demais, pois percebo que agora sou a luz límpida e forte que emana do céu cinza, agora projeto as sombras que se escondem na escuridão, vejo tudo, sinto tudo, comando tudo, não há formas, não há medos, não há pânico, há apenas eu e somente eu. Um ser incompleto, sem Mente e sem Corpo, vagando destemido por entre as lacunas da minha mente destruída, procurando incansável a porta por onde a Mente possa ter fugido e, então, me deparo com ela, uma bela donzela de cabelos cacheados, tão dourados que se igualam ao vermelho que já não lembrava que existia, ela está só, mas não está sozinha. Sua sala é ampla, as pedras duras do chão frio deram espaço para a Terra, de algum lugar jorra água e formava um rio límpido e claro, plantas e árvores se estendem numa imensidão avassaladora e noto que não há paredes, não há limites, apenas a alta porta por onde passei. Sua roupa clara emana a luz que preenche todo o espaço, ela estava ali, me esperando chegar para saudar-me e dizer com um sorriso no rosto que estava me esperando há muito tempo, e que se instalou ali, pois sabia que a mãe iria me guiar em segurança até lá.

Estranho, mas eu me reencontrei, aquela mulher distinta e bela, cheia de si e senhora do seu mundo, Ela sou Eu. Nos reencontramos, um elo meu perdido no tempo, uma grã-sacerdotisa, reencontrando um grão-sacerdote. Por muito tempo me refugiei ali, junto à ela e aprendendo tudo que eu havia esquecido, e de repente, tudo fez sentido, acordei para a vida, havia cores nos meus olhos, pude ver a real brancura da minha pele escondida do Sol, pude então sentir o cheiro do vermelho, do verde, do amarelo, do azul, pude compreender que há muito mais em mim do que eu podia imaginar, e com o tempo, voltamos a ser um, e apenas um, apenas Eu. Passei a olhar meu reflexo, agora não mais turvo, nas águas do rio e vi minha real forma, indo além deste corpo mundano que aprisiona o tamanho do meu ser, mas me felicito por ter trazido à Terra parte da minha real aparência, meus vaidosos cachos avermelhados, e creio que com o tempo ei de me reencontrar ainda mais com a minha real aparência, não posso negar, sou tão feminino e cheio de vida, quanto o próprio ventre da mãe.

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