Chapter 2013 – Act 08, Page 03

Sábado, quente e estranhamente intuitivo. Eis que tomo banho ouvindo música instrumental e com o banheiro cheio de incensos acesos. Óleos corporais e tudo mais que possa relaxar meu corpo fatigado de um semana corrida e agitada. Saiu do banho já atrasado para ir ao centro, simplesmente tenho que atravessar a cidade de São Paulo inteira para compreender um pouco mais sobre esse meu dom, ser um “cavalo” para os trabalhadores da luz, além de fazer meus próprios trabalhos para o bem. Parando agora e refletindo, noto que abri mão do mundo há alguns anos, deixei de orar aos deuses para que desenvolvessem as outras pessoas, e que isso mudou na minha vida? Nada. Pois compreendo que cada ser deste inferno que chamamos de Terra, possuí o “livre arbítrio”, ou seja, você escolhe se quer desenvolver seu ser fétido, ou se manter na ignorância.

E quando seco o cabelo, eis que minha irmã me pede para deixá-la escovar meu cabelo, ei de perder todos os cachos se deixar, mas algo em mim quer aquilo, algo que não compreendo almeja um cabelo liso no dia de hoje. Liso, em camadas, com o comprimento no meio das costas, meu corte é um moicano e está inteiramente penteado para trás. Me olho no espelho e gosto do que vejo, um rosto sério de homem, com cabelos arrumados e penteados para trás, impecavelmente liso, implacavelmente belo. E sigo feliz para o centro, angariando olhares de aprovação, inveja e descaso pelo caminho, todos olham e comentam do meu cabelo e das minhas roupas, a barba quebra um pouco da feminilidade do cabelo cumprido, da cintura moldada, e da bolsa grafitada.

Hoje, a gira é para o conhecimento e evolução, trabalharemos nas forças do conhecimento, sabedoria e evolução. Trabalharemos na minha linha de cura, magia e poder, através conhecimento que desenvolvo meus dons e aprendo cada vez mais. Hoje é a minha gira, hoje teremos o atendimento pelos caboclos da sagrada Jurema. Paro e me concentro, sentado de índio no chão do terreiro, deixo fluir as energias, sentindo o poder da terra invadindo todo meu corpo e nos tornando em apenas um. O duplo da visão começa a surgir e sinto a presença de alguém à minha direita, prostrado bem próximo, nas minhas costas, sinto que ele é alto e é homem. Abro os olhos e não há ninguém no físico por perto, fecho os olhos e me concentro novamente. Sinto que a presença ainda está ali, próxima, então ele começa a andar ao meu redor, falando algo que não compreendo, mas escuto sua voz muda. O duplo da visão se faz inteiramente presente, não sinto mais e nem escuto o plano físico, estou inteiramente no plano espiritual, e vejo tal homem vestido de branco muito mais nítido, não apenas mais um borrão. Ele para à minha frente, estamos em pé na imensidão escura, os trabalhadores espirituais começam a chegar no espaço que corresponde ao plano do terreiro, não consigo olhar além daquela área delimitada, olho diretamente em seus olhos castanhos, seu cabelo escuro e liso está totalmente para trás, amarrado como guerreiro, ele é lindo, com rosto másculo e olhar penetrante, aquele olhar lembra o meu próprio olhar, ele é branco e está vestido de branco, nos olhamos por horas sem falarmos nada.

Ele é simpático e sorridente, e é jovem, está muito feliz por estar ali, próximo a mim. Compreendo tudo que ele fala e tudo que ele quer dizer, mesmo que ele não pronuncie uma única palavra. Ainda não sei seu nome, mas ainda teremos mais tempo para nos conhecermos melhor, ele é muito calmo e centrado, totalmente diferente dos outros que estão no espaço, que andam agitados, falando alto, alguns gritam e outros correm, mas nós estamos ali como enamorados. Compreendo que é chegado o momento deu voltar ao meu plano, o toque dele me enche o peito e sei que ele se manterá sempre por perto, às minhas costas me guardando e guiando, seu olhar sério, sereno e compreensivo olhas as pessoas de cima, pois ele é bem alto. Volto ao plano físico, a viagem me trás água aos olhos e os abro, embaçados e meu disperso entre tanto barulho. É hora de preparar a pemba que a gira vai começar.

Durante o prece para abertura dos trabalhos, antes mesmo dos pontos de sustentação, fecho os olhos e me concentro novamente, ouço os chocalhos tocando no plano espiritual vejo que tudo está em ordem e que por lá os trabalhos já estavam começando. Sinto um toque no meu ombro direito e um arrepio na coluna inteira, olho para o lado e o vejo, apenas com a calça branca e um belo penacho cumprido e com plumas brilhosas, o penacho na sua cabeça está tal qual meu cabelo escovado, cumprido e totalmente para trás, ele sorri e compreendo que meu cabelo está assim hoje pois ele estava mais próximo de mim do que poderia compreender. Posso ver seu peitoral musculoso e inteiramente liso, sem pelos ou marcas de feridas, encostado em sua perna vejo um grande arco e um porta flechas para as costas. Ele sorri novamente e me diz para me preparar que vamos abrir os portais, ao longe vejo a grande mãe sorrindo e me olhando com ternura, ela está exatamente no centro do espaço emanando ondas azuis, rosas e amarelas. Aqui, na umbanda, a grande mãe é tida como Oxum, a deusa do amor na cultura iorùbá e nagô. O ponto está lançado e os portais abertos, os trabalhos começam.

Após o encerramento dos trabalhos, meu caboclo me parabeniza e diz que se manterá próximo, caso que precise de ajuda. Ele está vestido, seus trajes brancos iluminam o espaço, vejo que há alguns trabalhadores no plano espiritual encerrando seus trabalhos e ajudando aqueles que ainda estão perdidos por lá. Compreendo que meu caboclo se manterá às minhas costas, me guiando e protegendo. Volto e sorriu quando compreendo que desde sempre tive fortes influências dos meus guias, é bem engraçado, mas trago isso pro plano físico, sempre amei cabelo cumprido e alargador na orelha e sendo compreensivo, forte e sábio e apaixonado pelo verde; ostento meus cachos perfeitos, a cor vibrante do meu cabelo quase dourado e minha gargalhada e espontaneidade, apaixonado pelo vermelho; adoro barba mais cumprida também, sou sério e com olhar sóbrio, e meu jeito rude me garante autoridade, e sou apaixonado pelo preto. O que posso fazer, se sou assim desde pequeno? Se uno as três influencias de personalidade em uma só, mantenho meu cabelos cumpridos, cacheado e com corte moicano, uso alargadores e sou sério, compreensivo e espontâneo. Sou assim e ponto …

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