Chapter 2013 – Act 08, Page 08

Gostaria de dizer sobre a neblina, sobre o cinza gélido da minha amada London, que me acalentou durante anos em seu seio materno, me aninhou feliz em tuas populosas ruas, me injetou suas amadas drogas, me induziu à vida feliz e ao ardor da paixão. London que me inspirou sobre a vida, me fez enxergar a vida, me tirou o aperto da dor do erro. Mas, hoje estou eu no calor de São Paulo, e o que mais posso falar além de: “minha amada, cá encontrei uma parte de ti,nesta és tua prima distante, e vejo que entre vocês não há muitas diferenças”. E, então, simularei um toque de deboche, para que então desabroche a alma e deixarei fluir os sentidos nesta névoa doce e entorpecente que abrirá caminhos, abrirá também a minha mente efêmera, olhar-ei os desníveis da rua, encontrarei as cidades perdidas nos reflexos escondidos nas sombras opacas destas zonas perdidas, onde se escondem as trabalhadoras ressentidas e rechaçadas da sociedade opressora, onde vejo nitidamente a figura da mulher maltrapilha esmolando centavos, a criança favelada correndo descalça com um pão roubado no armazém da vila para alimentar sua fome, e a fome dos seus pais que não tiveram oportunidades na cidade humilde de onde fugiram, fome dos irmãos rebentos que são recriminados por serem pobres, e tem a ignorância como matriz motora. Meus olhos secos continuam pelo caminho mal iluminado, onde se escondem os viciados e os esquecidos, onde se entorpecem com a realidade alternativa que as drogas salvadoras proporcionam àquela mente cansada, cansada da moralidade inescrupulosa, cansada da vida mesquinha e agora lúcida pela insanidade.

Não vamos deixar ninguém chegar com sacanagem, e nos roubar a ingenuidade de criança que move essa situação esperançosa por mudanças reais, por mudanças que almejamos desde pequenos, quando ouvíamos estórias do universo Disney. A excitação de uma criança almejando o príncipe encantado, que hoje, ao invés de loiro de olhos azuis, alto e belo, com a educação de um verdadeiro lord britânico, as crianças almejam um ter ou ser alguém com passagem pela polícia por roubo ou homicídio, que ostente tatuagens do crime, e que seja o estereótipo da criminalidade. A moral ensinada hoje pela mídia e pela ausência das famílias na vida dos seus ‘rebentos’, é uma moral suja de que não adianta mais ser honesto e lutar por algo construtivo para a sociedade, afinal somos um país de gente pobre, muito pobre, que pensa ser rica. Infelizmente, aprendemos que não adianta queremos algo melhor para o social, pois aqueles que manipulam o dinheiro, o nosso dinheiro, está com as malas e cuecas cheias do nosso dinheiro. Com isso, a população descrê na antiga moral, e perde seus bons costumes. A população hoje está doente, e em breve estará morta e ressequida.

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