Chapter 2013 – Act 08, Page 28

E se o mundo fosse repleto de reuniões e observações desnecessárias, com arremedos de tentar e ser feliz, com ideias absurdas e totalmente irrelevantes, e se todas as palavras não valessem de nada e tudo que fizemos até agora foi inútil, com todas aquelas hordas de traidores, com todos aqueles que morreram e foram lançados ao mar tempestivo para serem tragados para o fundo da terra, e lá permanecerem para sempre. Se tudo não passou de ilusão aos olhos dos cegos que enxergavam um mundo bom, cheio de floreios e devassas, talvez tudo mude numa tarde de domingo, sentado à beira mar esperando o navegante tardio retornar, e reencontrar sua amada, que hoje é apenas uma sombra, uma sombra desgostosa de uma mulher solta entre marujos mesquinhos e sem respeito, que para saciarem seus desejos encontraram no corpo daquela mulher a passagem para os seus prazer, mas para ela foi apenas dor e humilhação. Hoje, ela caminha por entre as pedras dos cais protegendo as moças que por ali caminham solitárias na noite escura, e sua tarefa é protegê-las daqueles que almejam curar seus vícios e satisfazer seus desejos podres em seus corpos, ela é mulher vivida e senhora de si e mostra sua aparência de morta-viva humilhada e ferida, sua seriedade espanta a qualquer um que tente se aproximar, e depois ela volta à beira mar, a espera do seu viajante que nunca mais retornará ao cais, pois se perdeu nos braços de uma morena em outras terras e por lá morreu, sem ao menos lembrar da cor dos teus olhos bela sombra pálida, que caminha sem direção por entre as pedras.

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