Chapter 2013 – Act 11, Page 20

Hoje é dia que comemoramos o Dia da Consciência Negra, logo, aqui é feriado (sim, brasileiros adoram feriados). E como homenagem, trago um dos poemas que mais gosto, de um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira que já tivemos.

Horas vivas

 

Noite: abrem-se as flores . . .

Que esplendores!

Cíntia sonha seus amores

Pelo céu.

Tênues as neblinas

Às campinas

Descem das colinas,

Como um véu.

Mãos em mãos travadas,

Animadas,

Vão aquelas fadas

Pelo ar;

Soltos os cabelos,

Em novelos,

Puros, louros, belos,

A voar.

— “Homem, nos teus dias

Que agonias,

Sonhos, utopias,

Ambições;

Vivas e fagueiras,

As primeiras,

Como as derradeiras

Ilusões!

— “Quantas, quantas vidas

Vão perdidas,

Pombas mal feridas

Pelo mal!

Anos após anos,

Tão insanos,

Vêm os desenganos

Afinal.

— “Dorme: se os pesares

Repousares,

Vês? — por estes ares

Vamos rir;

Mortas, não; festivas,

E lascivas,

Somos — horas vivas

De dormir. —”

 

Machado de Assis

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