Chapter 2013 – Act 11, Page 21

“Chuparam manchas torturantes de seus pulso já verdes, o que houve contigo bela donzela? Foram entrando como se nada os prendessem, e o que tu fizera? Ficara ali, parada, atônita à situação, e aos poucos eles leram a sentença, presa por acusação de magia e práticas hereges. Aos poucos sua consciência fora recordada e quando se dera por si estava atada a um tronco sujo, num lugar fétido e escuro, e o que lhe restara fazer era tentar fugir, e o faria mesmo que isso esgotasse suas forças físicas e espirituais. Olhou ao redor, alguém estava vindo, eis que surge um padre expondo suas intimidades para ter seu sexo testado, enquanto o carrasco ficava ali, imóvel observando o estupro que era inevitável, mas não para ela, que fora tomada pela repulsa e pelo ódio de estar ali, presa, nua e acorrentada. Enquanto o padre franzino colocava seu membro à mostra e chegava perto do seu sexo ela orou, uma oração desconhecida àquele homem, que logo a mandara calar a boca em seu péssimo latim.

A gargalhada dela fora estrondosa e pela primeira vez o tal homem se viu apavorado, afinal ela fora tirada de sua casa ainda em transe devido às evocações dos deuses antigos de sua terra. Ela recobrara as forças e a consciência, fora tirada do ritual ainda em transe, mas agora já dispunha do seu autocontrole natural. Ele olhou o homem nos olhos e continuo a orar com fervor na língua ancestral do seu povo, evocando as forças da deusa da morte, que ali começava a se fazer presente, e nem mesmo as chicotadas violentas do carrasco a fazia parar de falar. O padre que estava rijo até aquele momento começara a sentir uma estranha dormência em seu falo, que agora mole já não mais o obedecia, e ele gritava desesperado “fascinans, maga, fascinatrix ….”, e ela apenas gargalhava diante de tal cena. O estupro que era iminente, agora não passava de uma vergonha ao padre, que fugira dali horrorizado, mas seu carrasco ficara e quis lhe mostrar que era mais potente que o franzino padre. O coitado teve o destino marcado em seu próprio corpo, que caíra morto aos pés da donzela antes mesmo de lhe tocar.

Aturdida e com o medo crescente em seu corpo trêmulo, ela precisava fugir, mas como, se logo viriam outros e sua morte seria certa. Olhava de um lado para o outro, procurando algum meio para se soltar das correntes de ferro atadas aos pés e às mãos. Orando e mexendo os pulso, as argolas que prendiam os grilhões das mãos se soltaram, e logo ela tombou para frente apoiando-se ao corpo do carrasco morto. Com a destreza de um gato, revirou o carrasco e lhe tirou as chaves que lhe dariam a liberdade, mas com tristeza se deu conta que nenhuma das chaves lhe daria a liberdade dos grilhões dos pés, olhou o chão próximo à procura de uma pedra solta, e a encontrou, com pouca destreza e menos força ainda conseguira quebrar um elo de uma das correntes, o desespero a ajudou a terminar de se soltar da outra corrente. Pronto, agora estava nua e livre, mas para onde poderia ir? Despiu o carrasco do seu manto grosso, vestiu e partira com as chaves em direção à porta, a destrancou e ganhou o pátio da abadia, andou depressa até a outra extremidade, mas ali era terreno desconhecido, precisava fugir o quanto antes.

Ouvira a correria de alguns padres e mais carrascos correndo em direção às masmorras de onde escapara, ela não tinha muito tempo, logo descobririam que ela fugira. Procurou um canto na grande muralha à leste e a forçou, era impenetrável, então a escalou. Do alto da muralha se jogou para o outro lado, caindo sobre arbustos e rolando a encosta, apesar de ferida da queda, estava viva. O rio levaria para dentro da floresta, lugar que ela estava habituada a frequentar e a abrigaria na noite para que pudesse fugir em breve.”

E eis que acordo do meu sonho e reflito sobre, não fora um sonho, mas sim uma lembrança. E me limito a escrever apenas essa ressalva, o que posso escrever sobre hoje após isso tudo?

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