Chapter 2014 – Act 04, Page 30

Acho que esgotei minha fonte de palavras dessa semana, a criatividade não vem para que eu possa fazer e elaborar mais e mais. Mas de que me adianta criatividade se a semana já está no fim? Amanhã é mais um feriado, e prolongado novamente, e hoje trabalho como barman também, tenho que encontrar algo mais além de ânimo, tenho que encontrar disposição e coragem, isso sim.

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Chapter 2014 – Act 04, Page 29

Gostaria de estar bem melhor hoje para escrever sobre a minha incursão ao DECRADI. Bem, primeiro vamos contextualizar a todos. Há um guri na minha sala da faculdade que está me processando por injúria, bem, até agora não consigo ver nexo na acusação, mas ok, vivemos numa democracia onde todos têm o direito de se sentir magoado com algo que acontece, mas agora falar que eu agi com preconceito com ele é bem injusto comigo, logo comigo. Mas não estou aqui para me fazer de coitado, afinal não o que os cristãos chamariam de deus. Digo especificamente os cristãos, pois o deus deles se apresenta no ápice da perfeição, mas ninguém é perfeito na minha concepção, nem mesmo os meus próprios deuses são perfeitos, eles são justos, mas perfeitos é muita prepotência usar.

Enfim, hoje é um dia totalmente atípico para mim, e você nem pode imaginar o porquê. Simplesmente hoje engoli meu orgulho, pois meu pai (aquele que não falava há anos, e que nunca foi nenhum amor comigo) quem me acompanhou na delegacia. E após horas de espera para conversar com a escrivã, para dizer tudo aquilo que ela já sabia, que não houve nenhuma intenção de atacar ou agredir moralmente meu coleguinha de classe. Até agora estou incrédulo com o fato, mas tudo bem, posso continuar vivendo com isso em mente. A conversa com a escrivão foi rápida, ela percebeu que estava falando a verdade e que não tinha muito fundamento achar que um comentário aleatório numa rede social se aplicava à determinada pessoa.

Mas enfim, após conversar na delegacia, fui para a agência, vesgo de fome e um tanto quanto leve. Apreensivo pois serei intimado judicialmente para depor sobre o caso, mas leve por ter exposto a minha versão da história, a minha e a do Rodrigo, pois ambos fomos convocados. Ficamos sem entender nada a princípio, mas depois entendemos tudo. É isso, e assim se passou mais um dia, e eu com meu orgulho ferido. Mas, até que teve um lado bom dessa história, conheci o meu meio irmão, que carrega o mesmo nome que o meu. É meu querido papai, como já diz o ditado que sempre ouvi minha avó dizer: “quem pariu Matheus que o balance”; te desejo um bom embalo, pois se para criar um Matheus já foi um parto, imagino o quão difícil deve ser criar dois.

Chapter 2014 – Act 04, Page 28

Trabalha hoje foi como se a vida estivesse voltando ao normal, mas ao normal de quem? Enquanto escrevo sinto o sangue correr gélido em minhas veias do braço esquerdo, o que seria isso? Sinto meus tendões arderem e minhas mãos formigarem, sinto cada batida do meu coração como um martelo em minha mente, meu olhos doem, a música sangra meus ouvidos, e as vozes ainda falam. Silêncio, tudo ficou escuro e meus dedos não para mais de escrever, é o transe, e tudo mudou agora. … Simplesmente voltei após um tempo, e agora acho que vou para lá, e depois volte para cá. Ir, não sei para onde, mas irei.

Chapter 2014 – Act 04, Page 26

Bem, até eu entrar no meu ritmo frenético novamente, irá demorar um tempinho. O mais difícil agora é ter tempo para estudar e trabalhar em dobro. O bom é que além do dinheiro extra, tenho um novo nicho para network, e isso é muito bom. Não tenho muito o que falar, apenas que estou curtindo essa experiência de mostrar meus dotes misturados com álcool.

Chapter 2014 – Act 04, Page 25

E o que dizer sobre hoje? Que nenhum dos meus planos se concretizou? Que nada ocorreu como eu havia planejado? Mas isso foi bom, assim tenho uma bela surpresa todos os dias na minha vida. Começo hoje a trabalhar efetivamente todos os finais de semana na Trash 80, como barman. O engraçado é que isso era um devaneio infantil quando pensava em efetivamente voltar a morar em Londres, nem que fosse para ser barman de baladas. Olha só algumas coisas acontecendo.

Chapter 2014 – Act 04, Page 24

E hoje só quero compartilhar uma música, apenas isso. será que o mundo acabou? Se sim, “Carlota, me serve um café que o mundo acabou” (E.D)

 

Naquela manhã

Eu acordei tarde, de bode

com tudo que sei

acendi uma vela

abri a janela, e pasmei

Alguns edifícios explodiam

pessoas corriam

eu disse bom dia

ignorei

Telefonei

Prum toque tenha qualquer

e não tinha,

ninguém respondeu, eu

disse Deus, Nostradamus,

força do bem e da maldade

futuro, calamidade, juizo final

então restou

De repente na minha frente

A esquadria de aluminio

caiu, junto com vidro fume

o que fazer, tudo ruiu

Começou tudo a carcomer

gritei, ninguém ouviu,

e olha que eu ainda fiz psiu!

O dia ficou noite

O sol foi pro alem

Eu preciso de alguém

vou até a cozinha

encontro Carlota, a cozinheira

morta, diante do meu pé, Zé

eu falei, eu gritei, eu imploreei

Levanta

Me serve um café

Que o mundo acabou!

 

Nostradamus – Eduardo Dussek