Chapter 2014 – Act 05, Page 17

Alturas da Avenida. Bonde 3.

Asfaltos. Vastos, altos repuxos de poeira

sob o arlequinal do céu oiro-rosa-verde…

As sujidades implexas do urbanismo.

Filés de manuelino. Calvícies de Pensilvânia.

Gritos de goticismo.

 

Na frente o tram da irrigação,

onde um Sol bruxo se dispersa

num triunfo persa de esmeraldas, topázios e rubis…

Lânguidos boticellis a ler Henry Bordeaux

nas clausuras sem dragões dos torreões…

 

Mário, paga os duzentos réis.

São cinco no banco: um branco,

um noite, um oiro,

um cinzento de tísica e Mário…

Solicitudes! Solicitudes!

 

Mas… olhai, oh meus olhos saudosos dos ontens

esse espetáculo encantado da Avenida!

Revivei, oh gaúchos paulistas ancestremente!

e oh cavalos de cólera sangüínea!

 

Laranja da China, laranja da China, laranja da China!

Abacate, cambucá e tangerina!

Guarda-te! Aos aplausos do esfuziante clown,

heróico sucessor da raça heril dos bandeirantes,

loiramente domando um automóvel!

O Domador – Mário de Andrade

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