Chapter 2014 – Act 05, Page 22

Falta sempre alguém que nos diga a verdade, que nos diga: “tire-me daqui”. Num país onde o que resta é a esperança de uma vida melhor, numa vida onde resta a esperança de ter um país melhor, e uma esperança sem esperanças. Ainda não será dessa que terei meu algoz realizado, não será hoje que terei um país livre das sombras díspares que juntas formam uma só, a sombra da mão de aço que pesa sobre a mente daqueles que pensam diferente.

Com toda certeza, aqueles que morreram antes de nós, hoje são flores em campos desertos que serviam como cemitério para aqueles que agiam em direito ilegítimo dessa sombra maltrapilha. Tudo poderia ter sido diferente, e agora me pergunto o porquê tudo foi exatamente igual. A história se repede sem se despedir do passado, vivemos uma utopia de futuro inexistente, pois nos disseram que temos que continuar vivendo, mas ninguém parou para perguntar o motivo dessa sobrevida mesquinha e imunda.

Hoje você está aí, olhando pela janela do seu carro caro, vendo o movimento disforme nas ruas apinhadas de gente fétida, e você aí olhando com descaso o sexo exposto daqueles que não sabem o destino de amanhã, mas que vivem melhor que você, porco imundo com o dinheiro daqueles que você rouba, mas rouba bonito e nos faz de trouxa. Sabe o porquê aquele com o sexo amostra em plena praça ri de ti? Pois dele você não rouba, pois na verdade ele não vive para você, ele vive para ele mesmo. Única e exclusivamente para ele mesmo.

Quem me dera agora tomar um copo de amônia para que me paralisasse tudo. Nada mais me faz sentido, não há mais como traduzir essa discórdia do ataque subliminar que sua áspera mão impinge sobre essa mutação que transforma suas ruas em veias pulsantes de uma sociedade doente. Você fica aí sentado, lendo esta merda e não se pergunta o que pode mudar para ter um mundo melhor. Poderia eu te mostrar inúmeras receitas de remédios que possivelmente melhoraria essa condição, mas infelizmente, suas facetas disformes não me permitem ser justo, e muito menos decente. Engula tudo isso que te cuspo, ou jogue na minha cara tudo aquilo que você deveria ter feito, e não fez para termos um país melhor.

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