Chapter 2014 – Act 05, Page 27

E tudo começa numa estação de metrô em SP. Olhar distante, pele fria, corpo inerte, tudo indicava a morte instaurada naquele lugar, mas não. Quando cheguei perto pude notar que ali não lhe faltava nada, apenas sobrava algo, algo esse que não pude compreender, pois o trem chegou e todos embarcaram.
Olhando por entre as vigas, buscando por entre os trilhos, nada consegui ter. Nada consegui sentir. É tão solitário andar sozinho por entre multidões que respiram pressa e almejam a chegada em algum lugar que elas mesma não sabem onde fica. Todos querem seguir a diante, mas não sabem onde querem chegar. Todos são iguais, e Bob Marley diria que iria rir na cara de todos por serem iguais.
A normatividade instaurada nessa sociedade fétida, que nasce, respira, vive e nem sempre morre. Mas morrer para quê? Morrer para quem? Qual é o propósito da morte em uma via sem sentido e sem lógica. Essa é a ideologia da exclusão, onde os princípios da vida se mesclam com os da morte. E sê for para morrer, por que não acontecer onde tudo começou? Viver e continuar vivendo, ou existir e continuar existindo? Ou então pensar, existir, ser e aí sim, viver.
Já cantaria Elis Regina que “viver é melhor que sonhar”, e sim, ela estava certa. Hoje reparo que não estou vivendo, apenas existindo e convivendo, há algum tempo eu morri, há algum tempo meu espírito morreu. Hoje quero acordar para um novo dia, para uma nova vida. Hoje quero viver para amanhã morrer, e todos os dias viver minha eterna morte viva.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s