Chapter 2014 – Act 06, Page 17

A vida flui incansavelmente em minhas veias, até mesmo quando eu não gostaria.

Queria eu fazer tudo diferente, ter outra vida, viver de outra maneira. Mas, ainda posso fazer tudo isso, pois a vida ainda não interrompeu seu fluxo em minhas finas veias, ela ainda corre rápida e pulsante. Se observar atentadamente, verei que não sou o único ainda com vida por aqui, verei que há outros que também respiram, mas não vivem.
Viver a vida é como entrar em campo de batalha todos os dias, nunca é fácil conseguir sair vivo no final do dia. E nessa luta diária vou me esgueirando, passando pela tangente e conquistando campo, passo despercebido pelos sentinelas. Mas, será que conseguirei ainda escapar dessas amarras? Nem tudo é como gostaríamos que fosse. Vejo todos errando e alguns acertos esporádicos, mas apenas isso. Estou cansado de pensar por todos nós.
Pensar, pensar e pensar, até quando conseguirei ainda manter o único e tênue fio que há da minha sanidade? Há cada dia que passo me percebo envolto ainda mais nas brumas, como isso pode ser capaz? Temo por aqueles que ainda viveram na realidade, pois creio que um dia ainda me fecharei em meu mundo utópico. E tenho medo disso.

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Chapter 2014 – Act 06, Page 13

Agora que percebi que todos os posts desta semana estavam em rascunho. É o hábito de digitar no celular e usar o 3G péssimo da minha operadora para atualizar tudo do meu smartphone. É, acho que todos puderam perceber o quão irritado fique ontem, e ainda não consigo compreender como as pessoas se felicitam com o fato de que foram enganadas, humilhadas, ultrajadas e tudo mais. De como não conseguem perceber que a FIFA não pagará nenhum imposto ao Brasil, e ainda lucrará bilhões de dólares, sem contar os bilhões de dólares que o pais investiu nos estádios, com obras superfaturadas.
Mas, prometi a mim mesmo que hoje não mais me irritaria com tal assunto, preciso de um tempo para mim também. E o encontrei ontem a noite, melhor dizendo, na madrugada de hoje. Após assistir o filme Malificent, que é um filme fantástico e a Jolie está de parabéns pelo desempenho no papel, resolvi sucumbir ao mundo gay virtual, traduzindo, resolvi criar um perfil no Tinder e também no Grindr.
Podem julgar e especular, não ligarei para isso. As vezes me assemelho à uma “vadia”, segundo os termos sociais, mas ainda tenho esperança de haja alguém que não queria apenas sexo nessas redes, mas se quiserem apenas sexo, não vejo problema algum em ter apenas sexo com eles. Não levanto nenhuma bandeira de moralismo, ainda mais esses baratos que apontam o dedo na face dos outros e os recriminam, mas no escuro da sociedade, fazem pior.
Há pessoas interessantes, por exemplo, não sabia que perto de casa morava um guri lindo, com visão de futuro e ideologias interessantes, e também amante de filosofia. Nessas redes não há apenas corpos sem cérebro, há cérebros sem corpos, e também, pessoas completas. Ainda não sei em qual das três categorias me enquadro, tenho um cérebro que não é la essas coisas, um corpo fatigado pelos anos de ballet, um coração anestesiado pelas experiências anteriores, e uma enorme capacidade de me adaptar aos momentos. Decida você mesmo em qual categoria me colocaria. Ah, acho que sou melhor com as palavras do que com pessoas.
Bem, enquanto o locutor da estação tenta transmitir uma informação em inglês, vou caminhando pela plataforma da Sé, seguindo para conseguir embarcar para a estação Anhangabau. Será que eu deveria subir no posto da SSO, e ajudar o locutor a dizer “passangers”? Melhor não.

Chapter 2014 – Act 06, Page 11

Se ser livre, significa perder a liberdade, então quero ser oculto desta sociedade. Quando somos livres, somos marcados socialmente com rótulos de alguma coisa, e assim, perdemos nossa liberdade e nos tornamos objetos de curiosidade da sociedade hipócrita. Ser livre é, para mim, poder ir e vir, ser e exprimir quem realmente eu sou, sem me preocupar com o qual “rótulo” que a sociedade me classificará. De certa forma, sou livre em minha mente, pois verdadeiramente não me importo com o que dizem, mas não sou hipócrita para afirmar que tais rótulos não existem.
Por aí, devem me chamar de “ladrão, bicha e maconheiro”, como cantaria Cazuza, mas não me importo. De uma forma ou de outra, essas classificações sociais servem apenas para os mais ignorantes se localizarem na sociedade que estão inseridos, imagine se não houvessem as classificações para designar um grupo de pessoas, a mente dos ignorantes entraria em colapso e tudo iria “para o ar”. Seria isso válido?
Se pararmos para pensar bem, a resposta pode ser sim, mas também poderia ser não. É comum julgarmos e classificarmos os outros, isso é humano, mas os humanos possuem a capacidade de abstrair conceitos e ser contrário à sua própria natureza. Monges são exemplos disso, eles deixam de julgar os outro, pois acreditam que o julgamento é uma forma de atraso no desenvolvimento espiritual deles. Estariam eles certos? No meu ponto de vista, sim.
Na minha concepção, os monges são verdadeiramente livres e não perdem sua liberdade, pois desenvolveram sua própria sociedade, que é livre dos conceitos arraigados de tempos passados. Hoje em dia ainda existem pessoas que vivem sob a ideologia religiosa de dois séculos atrás. Mas, aí me pergunto, estariam eles errados por viver eternamente um passado? Quem sou eu para definir o que é certo e errado para eles? Sou ninguém, apenas um rapaz de vinte e poucos anos que analisa cautelosamente suas próprias ações e segue sua vida de acordo com o que acha certo. Esse sou eu, visto por mim mesmo, de fora para dentro, pois sei que de dentro para fora, a questão fica muito mais complexa.

Chapter 2014 – Act 06, Page 10

Maldito sejais o espirro. Fico feliz que o metrô tenha voltado a funcionar, mas chateado com a forma que o fez voltar a funcionar. Em resumo, os metroviários só aceitaram a negociação após o governo começar a demiti-los por justa causa.
Qualidade de vida é levar 15 minutos para chegar na agência, a pé, e ainda ter tempo para tomar café da manhã sossegado. Isso que é qualidade de vida. Ok, qualidade de vida também pode ser demorar 50 minutos de casa até a agência usando um ônibus e o metrô. Em comparação com o pessoal que leva de 3 a 4 horas no transporte, 50 minutos é algo inestimável para eles.
Confesso que hoje me sinto descontente comigo mesmo, pois não rendi 1/3 do que gostaria de ter rendido na agência. Mesmo chegando horas mais cedo do meu horário de costume, não rendi quase nada. Mudarei esse cenário amanhã, chegarei no meu horário e adiantarei meu Job. A vida é feita de escolhas, e muitas vezes, tais escolhas são apenas uma ilusão nossa se qua as escolhemos.
E a prova de hoje foi sobre linguagem e produção em rádio, e o professor dessa matéria é uma cara foda chamado Rodrigo Maia. Simplesmente um dos melhores professores com quem já tive aulas, após, é claro, da talentosíssima Adriana Lima e Jorge Penteado. O diferencial de todos esses professores é que eles não nós obrigam a decorar regras e modelos pré-definidos, eles nos fazem compreender verdadeiramente o assunto lecionado. E, com uma boa e velha dose de humor, nós dão liberdade de expressão em sala, como fazer a prova com flores na borda da folha, apenas para sacanear o professor.

Chapter 2014 – Act 06, Page 09

E começa mais uma segunda-feira em São Paulo. Metroviários em greve, a bateria do iPhone já em 50% e eu aqui, sentado no ônibus seguindo lentamente para a estação Vila Mariana, na esperança de andar até a Ana Rosa e que ela esteja funcionando.
Amigos já me informaram que ela não está aberta, então acho que terei que andar até a paraíso. Não logo de andar por São Paulo, o problema é só a questão da segurança pública, que é algo bem deplorável por aqui. Acho que comprarei uma bicicleta para esses dias de greve, pois não me arrisco mais a andar de patins pelas ruas da capital, além da péssima manutenção das vias que estão completamente esburacadas e cheias de pedrinhas que se soltam do asfalto barato e mal colocado, tem a questão da falta de educação dos motoristas com ciclistas, patinadores e o pessoal do skate. E, pelo menos de bicicleta, da para ter mais controle, como parar quase que imediatamente.
Já em frente ao shopping Santa Cruz, fico um pouco apreensivo de chegar na Ana Rosa e não ter metrô, acabam de me avisar também que está havendo um protesto dos metroviários no caminho entre as estações Ana Rosa e Paraíso. Ou seja, talvez eu tenha me fudido duas vezes agora, tendo em vista que, se a estação estiver fechada, terei que passar pelo protesto que estará sendo pulverizado pela agressiva polícia do estado. É, e assim começa a semana do paulistano, complicada e com inúmeros acontecimentos. E agora, vamos ver o que acontece na estação tia Rosa.
Sim, aberta. A rua estava com marcas de queimado, o terminal de ônibus lotado, o acesso ao metrô um verdadeiro inferno, a bateria do iPhone com menos de 30% agora. E assim vamos vivendo essa segunda, pensando em como será a volta parra casa, e amanhã como será a ida para agência. Por mais que eu saia cedo de casa, não consigo chegar antes das 12 horas, hoje foram 4 horas de percurso, que de metrô eu faço em cerca de 30 minutos. Para ficar mais claro, de dentro de casa até dentro da agência, eu levo de 50 minutos até 1 hora.