Chapter 2014 – Act 06, Page 04

Sabe aquele dia de vida normal? Aquele que nada de especial acontece, e que na verdade você queria mesmo era ver pôneis rosas correndo pela avenida Paulista, sendo perseguidos por dinossauros azuis. Então, hoje meu dia é assim, sem grandes emoções, sem grandes mudanças, sem nada grande. Mas, isso é apenas o externo, pois que algo está mudando em mim, mesmo que tão subjetivamente que não posso sentir.
Gastaria de escrever em inglês hoje, só para relembrar os tempos passados, mas confesso que estou com preguiça de mudar a língua do iPhone, sei que três toques eu faço isso, mas estou com muita preguiça de parar de escrever. O mais engraçado é que estou pensando em inglês e traduzindo simultaneamente para o português, ou não, pois isso pode ser um devaneio da minha mente insone.
Sinto que ainda há tempo de fazer algo diferente, mas o quê? Talvez eu apenas olhe a linha do horizonte se distanciar de mim, sem perceber que estou parado e que ela está em constante movimento. Ou será que ela está parada e eu em constante movimento. Mas, quem sou eu? O que estou fazendo aqui?
Neste exato momento estou perdido em algum universo paralelo, no qual não conheço nada nem ninguém, nem mesmo a mim mesmo. E agora, para que me serão úteis os dons da retórica, da semiótica, da compreensão textual, dos vocábulos complicados, das línguas estrangeiras que adotei como parte de mim. Quais serão os desafios que me esperam pacientemente após essa fronteira imaginaria? Engraçado, mas vejo nitidamente uma linha que me separa do mundo real e dessa realidade utópica. Realidade essa que, por anos, compreendi como sendo a minha realidade interior, e talvez seja mesmo, mas hoje está em desarmonia com o meu ser. Deve ser o excesso de bagagem, as vezes ela pesa na viagem.
Hoje compreendo o motivo pelo qual não somos permitidos a vir a este plano com memórias de vivências anteriores, pois a bagagem pesa na viagem. A vida nada mais é do que uma viagem, às vezes curtas, às vezes longa, mas uma viagem. Vejo por aí viajantes, de todos os tipos, formatos, crenças e o cacete a quatro, e posso afirmar que seguir um deus ou outro, não te levará a lugar nenhum. Já vi muito religiosos perdidos por aí, pois não acreditavam em si mesmos e muito menos perdoaram a si mesmos. Um dia foi lhe dito que bastava viver da forma que quisesse e no final pedir o perdão a um deus ou outro, que tudo estava certo e resolvido, mas digo que não funciona desta forma. Mas, quem sou eu para dizer isso, apenas um louco que vê pessoas que ninguém mais vê, e ainda conversa com elas e lhes da atenção. De tantas coisas que já vi, não me espanto e nem me impressiono mais com as “estranhas”. Enfim, é isso.

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