Chapter 2014 – Act 07, Page 12

E se hoje eu resolvesse dar fim de tudo, não seria a primeira vez que o tento. Seria essa a terceira ou quarta vez, a verdade é que já perdi as contas de quantas vezes tentei tirar a minha vida, lembro da primeira como se fosse hoje. Calmantes são fáceis quando se tem insônia e seus pais não admitem que a causa é depressão, pois nunca compreenderam como um jovem que tem tudo pode ter depressão. O tal “TUDO” é bem relativo para mim, pois na verdade nunca tive nada e sempre vivi uma utopia, e quando conquisto algo, simplesmente o interesse se esvai, e volto à velha problemática do “NADA”.
Hoje, antes de tentar mais uma vez, consegui respirar fundo e esquentar a cabeça no banho, nesse frio suicídio mesmo seria tentar esfriá-la com um banho gelado. E para onde irei agora? Ainda não sei. Talvez sentar em algum lugar que me faça esquecer da minha vida, dançar me proporciona isso. Hoje não sou uma boa companhia para ninguém, nem mesmo para mim. Queria tanto ter sido forte na segunda vez, quando um coquetel de calmantes não deu certo. Aliás, acordei no dia seguinte pior do que antes, a sensação de fracasso é bem pior do que a fraca decisão de findar isso tudo. Acho que foi lembrando disso que hoje preferi sair e ver o mundo por outra ótica.
Outra ótica, tenho para mim que esse é o maior problema em mim, insistir em ver tudo por uma outra ótica. Nem sempre há um outro lado para ser visto, nem sempre quero ver um outro lado. Fraco. É assim que me sinto agora, fraco e intimamente enganado. E o pior, enganado por mim mesmo, vivendo uma utopia e a confundindo com a realidade. O meu mundo é bem melhor que a tua realidade barata, mas o meu mundo é parte do que tu chamarias de loucura ou demência. Mas quem nessa porra de realidade é normal?
Sou tão fraco, que conto nos dedos de uma só mão a quantidade de vezes que chorei na vida. E hoje, tudo que eu queria era apenas chorar e expulsar tudo que está no meu peito, e ter o abraço de alguém. Sei que não terei nada disso. Queria tanto gritar para o mundo e contar-lhes o que se passa dentro da minha mente insone, mas nem mesmo eu sei o que se passa nela. Um dia … Um dia sinto que conseguirei transmitir tudo que sinto, tudo que passo, tudo que vejo, sinto, ouço e penso. Um dia …
Um dia quero acordar e não estar mais aqui, quero me orgulhar de ver o Sol batendo na minha janela todas as manhãs e dizendo bom dia, quero pode viajar e viver a vida de uma forma que só eu possa compreender o sentido e significado de ‘vida’. Um dia não quero mais acordar aqui. O nó que se fez em meu peito, agora está mais solto, mais leve, frouxo diria, o que importa é que não penso mais em interromper o funcionamento da linha azul do metrô, em ter que remover mais um corpo dos trilhos. Acho que isso tudo vale um café, ou um chá. Sei que seria divertido sofrer desta forma em Paris, pelo menos posso sentar e observar a Torre Eifel enquanto bebo minha dose de cicuta sem pressa. Essa sim seria uma morte digna de um conto, e sem contar todo o mistério que haveria em tentar descobrir a o motivo que levou um jovem paulistano de 21 anos tirar a própria vida como fizera Romeu. Mas no meu caso não haveria uma Julieta, e sim outro Montecchio.
Enfim, quais conclusões levo desta vida? Algumas, e dentre elas estão as que me impossibilitam de embriagar-me novamente com tantas drogas vendidas com bula, e algumas doses de álcool, e também outras coisas mais. Tenho ainda alguma coisa a ensinar ao mundo, ou aprender, mas uma coisa eu tenho certeza: uma vez suicida, suicida sempre. Ah, outra certeza, não há ninguém do meu círculo de conhecidos que sabe que já atentei contra minha vida algumas vezes, menos ainda sabem os motivos que me levaram a tal ato.

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