Chapter 2014 – Act 07, Page 30

Tudo que se quer é RELIGAR a vida. A minha vida. A sua vida. A nossa vida. Tudo aqui é frágil, e talvez seja essa fragilidade o forte dessa constante e desprezível via que todas as coisas seguem. A simples espera se torna o apogeu da maior tortura existente, a espera, e quando o que há de vir é aquilo que tu sempre quis que viesse, se não vir, há de se chatear ainda mais com tudo, com nada, sem nada. E se o fato fosse o contrário? E se não houvesse fato. Não iria esperar, não irei esperar, não vou desesperar, não vou me sufocar. Não vou congelar e deixar de amar o meu Eu. Mas quem sou eu para obrigar alguém a algo? Talvez tu não sejas mais meu abrigo, será que o obrigo?

E quando paro, penso. E quando penso, apenas consigo ver refletido meus olhos de Ajé. Ajé essa cá que vê tudo e sabe de tudo. Uma Ajé envolta em todos os seus mistérios e brumas, sabes que posso saber exatamente onde estás e o que fazes, sem nem mesmo precisar me esforçar para isso. Mas, de que me adianta saber de tudo isso se nada irei fazer, não é mesmo? Quem sabe torturá-lo com sua própria memória, dor e culpa, culpa essa por me fazer esperar. Odeio esperar e ainda hoje sinto aquilo. Mas, sou capaz de respirar e guardar na gaveta dos pensamentos, no momento certo essa espera terá retorno, e assim caminha a vida, a espera de um eterno retorno. Ou seria uma eterna opção de “religar”? Por fim, viveremos e ainda assim, sem saber ….

 

 

“Nada sei da minha morte, mas sei que tudo em minha sorte é muito natural”

— Leo Cavalcanti, Religar.

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