Chapter 2014 – Act 08, Page 26

Solidão, isso é tudo que sinto quando chego na estação Jabaquara. Por mais que milhares de pessoas passem apressadas por aqui, e eu sou uma delas, me sinto tão só. A paisagem bucólica de uma noite quente, com umedecido pela última chuva e algumas nuvens ainda com água, intensifica ainda mais essa sensação de solidão. Por mais que eu saiba que posso ser uma legião em um só homem, sei ainda que a solidão acomete a todos, sem distinção de hierarquias ou graus de evolução.
Falando em evolução, já está na hora deu voltar à base da montanha e peregrinar até seu cume novamente. Não posso mais continuar no caminho do conhecimento se me distanciei do caminho da deusa, tenho que voltar novamente à base e ganhar o respeito dos elementais para então continuar a jornada. E essa peregrinação começará hoje. Já estou sem tempo, quis postergar esse momento me agarrando fortemente às raízes das frondosas árvores do caminho, mas agora ei de descer e subir. Mas, será que sou capaz de me lembrar do primeiro ensinamento dos deuses? São tantas coisas para lembrar e tantas coisas para reaprender, que já não sei se sou tão capaz assim de voltar.
Lembro-me de um tempo no qual essa subida ao cume não era ideológica, mas sim real. Lembro-me de ficar à mercê da natureza e dos elementais, se eles me ajudassem a subir e me ensinassem pelo caminho, teria então eu passado nos testes e poderia então assumir meu posto. E assim foi por muitas vezes, lembro-me exatamente como era o caminho e seus pontos de descanso, era como se outros antes de mim tivessem preparado tais lugares para servirem de pouso aos próximos. Lhes agradeço. Se ao menos pudesse eu novamente me manter a mercê dos deuses na escalada, acho que seria mais fácil do que encontrar tal escalada ideológica nessa selva de pedra. Mas eu sempre soube que esse era o desafio, encontrar a natureza na cidade. E esse insight tive há poucos anos, quando me deparei que tudo é natural, então há natureza em tudo. O problema é o que o homem (também natureza) fez com tudo aquilo que é natural, basicamente destruiu para dar vazão à sua ignorância.
Os tempos mudaram, e já também não somos mais os mesmo. Devemos aprender com as mudanças, e ensinar os velhos conceitos aos novos homens, somos nós agora que temos que lutar novamente contra a ignorância e a injustiça. Mas me pergunto todos os dias se somos realmente capazes de assim fazer, somos tão poucos. E agora tu compreendes o porquê ei de voltar à base e galgar novamente o caminho do aprendizado natural, pois quando eu chegar novamente no cume, não me terei tais dúvidas. Lembro-me de tempos em que eu não tinha dúvidas como essa, e “sozinho” era capaz de ir contra milhares de homens. Bons tempos que já não voltam mais.

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