Chapter 2014 – Act 10, Page 06

E aí eu descubro que hoje é segunda-feira e que meu esforço de passar mais um ciclo sem dormir valeu a pena. Os aplausos e os olhares de fascínio e inveja tomaram conta da sala. O fascínio foi muito mais imponente do que a inveja de algumas pessoas, e isso me basta. Sinto agora a necessidade de dormir, de enfim descansar, sinto também a necessidade de morar mais próximo da civilização, e quando digo isso, me refiro aos sentimentos que tomam conta de mim, me sinto completamente desligado do mundo onde eu moro. Levo cerca de uma hora de casa para o centro de São Paulo, e vice-versa. Adoraria morar mais próximo, minha vida se resume ao centro.
Olho as pessoas ao meu redor, o bocejo me embriaga, o valendo do vagão embala meu corpo. Gostaria de narrar o que sinto, mas agora quem ditará o tom dessa narração será o teu olho, aliado à tua concepção. Vejo desde o mais simples, até o maior. Vejo tudo e todos, e ainda vejo aqueles que se escondem no túnel da estação Liberdade do metrô. Talvez eu seja louco, e assim seria melhor, pois nada daquilo do que vejo seria real, nada daquilo que escuto seria ouvido, nada mais me faria sentido. Mas, o que é sentido? É aquela sensação de compreensão que nos ditaram quando pequenos? Não se pode comprar o tempo, o sol, a alegria e, muito menos, as dores. Não se comprar nada. Nada.
Se eu parasse agora de escrever, me tornaria apenas mais um na crescente massa. Acompanhei o resultado das eleições deste ano e fiquei pasmo com todas as incoerências que ocorrem nesta vida. Teremos mais 4 anos de governo opressor e de péssima administração, já temos uma das polícias mais violentas do mundo, e tu sabes disso, sabes tanto disso que ficou indignada quando leu nos jornais que a polícia matou, mas aí vem o acompanhamento midiático que diz que o polícia de São Paulo matou um vagabundo. Mas uma vida vale menos que a outra? O que faz a vida de uma pessoa valer menos ou mais do que a vida de outra pessoa, de outro inseto, de outro animal? Tenhamos senso meus senhores. Deixemos de lado as nossas diferenças e vamos em frente buscando mudar aquilo que não nos pertence mais. Vamos, lutemos e mudemos, afinal, tu também almeja um futuro melhor para os teus filhos e netos, ou não?

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