Chapter 2015 – Act 06, Page 09

Novo começo. Vamos lá, viremos a mesa e seguimos em frente, cagando para o que as pessoas irão dizer e pensar. Meu olhar perdido por entre as telas alheias me traz à mente tudo aquilo que um dia já passou pelo meu corpo efêmero, que vibra a cada nova descoberta e se permite viver o novo, de novo. Sempre me orgulhei da minha capacidade de dizer algo e, ao mesmo, não dizer nada. Acabo escrevendo na sua língua, mas com significados completamente ocultos. Olhando daqui, percebo que é alto, mas talvez eu deva me jogar onde os olhos não consigam ver. Talvez funcione, talvez não. De tudo que sei, é que a vida passa translúcida pela janela e, nesse cenário, me tornei um ator coadjuvante. Não. Espere um minuto, este é o meu espetáculo e quando as luzes se apagarem sei que ninguém me aplaudirá, parte porque nunca precisei de plateia para ser feliz, parte porque nos últimos anos passei a ser espectador da minha própria realidade. Isso me fere profundamente.

Bem, pelo menos a companhia nessa volta à vida está excelente, como eu diria: mamãe fez com carinho. O belo poeta, preso em seu mundo de letras e páginas tenta desvendar o desfecho a arte cênica, seria ele um possível ator que passa a integrar meu espetáculo? Sinto que ele gostaria de me dizer algo, mas tenho o maldito defeito de nunca iniciar uma conversa com pessoas interessantes, mas sou excelente conversador quando iniciada a conversa. Acho que irei trabalhar isso em mim, mas aí entra a dualidade na minha persona, pois prezo pela minha particularidade e sinto que invadiria o espaço alheio se assim o fizesse. Mas sou bom em expressão corporal e também muito bom em entender o que o corpo diz e os olhos falam. Eterna dúvida do “ser ou não ser” agindo em mim neste exato momento. Sinto falta de um livro para ser também intelectual. Hahahaha. Ok, não sinto, pois não seria a capa de Flusser que me faria ser mais interessante… Será que faria? 

Ao som de Pitty, mais exatamente ouvindo ‘Máscara’, o refrão ecoa na minha mente insone: seja você. Ok, serei eu e apenas eu, um cara preso ao seu iPhone digitando mais um capítulo deste livro. Apenas umas ressalva, o belo poeta lia Sêneca, de Platão. Isso o tornou completamente mais interessante, pena que minha pequena miopia me permitiu ver isso apenas agora quando ele se levantou e passou por mim com o corpo frêmito. É, devo voltar ao meu mundo e ser eu mesmo, estranho ou bizarro, mas eu mesmo. É aí, quem será o primeiro a gritar ANÁTEMA? Aponte e gritem para mim, não ligo para o seu ‘coxismo’ exacerbado. Ao longo desta minha vida mortal me dada pelos deuses eternos, compreendi que pertenço a mim mesmo, e que não preciso viver a minha a particularidade  conforme as tuas regras morais mandam. 

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