Chapter 2015 – Act 06, Page 26

Dia frio. Pela manhã a brisa gélida nos agracia com sua presença de 9*C, seu sorriso amargo adoça minha boca seca, e tudo vira do avesso. Para quem chegou em casa à 1h30 da manhã, acordar às 8 horas é um tanto quanto compreensível, não achas? Ao menos o metrô está quente, há pessoas bonita, digo elegantes, vivendo no seu mundo particular graças aos fones de ouvido. Hoje em dia é muito raro alguém conversar com uma pessoa estranha ao seu ciclo, e quando isso acontece, as pessoas não sabem como reagir e se sentem estremamente invadidas com a conversa. Ok, confesso que há alguns anos atrás eu também me sentiria invadido com a curiosidade ou afeto alheio, mas nesses meus tempos modernos, acharia muito proveitoso, e quem sabe, até engraçado. Me divirto quando encontro senhoras dispostas a conversar e contar seus causos e casos. Vale até debater sobre o preço do remédio da pressão. Muitas vezes, quando eu tomo a iniciativa de conversar, até elas se espantam, mas acabam cedendo à boa conversa.

Vejo tantos passos e compassos, que toda vez que saiu do vagão do trem, a marcha imperial soa na minha mente. Confesso que às vezes é a marcha fúnebre que eu ouço mentalmente ao ver todos caminhando no mesmo compasso, seguindo o mesmo rumo, com a mesma cara de desânimo por estar vivo. Não me excluo deles, muitas vezes tenho preguiça de estar vivo, mas aprendi a apreciar os pequenos sabores deste espetáculo chamado Vida. Sinto que o conteúdo útil já se fora, e logo menos também partirei. Tudo é apenas uma questão de tempo, e esse é bem relativo, diria até que já se tornou utópico, pois na Era da Informação, temos milhares de coisas para fazer, mas o tempo é o mesmo dos nossos ancestrais. Deve ser por isso que eles terminavam tudo que se propunham a fazer, em tempo recorde e com qualidade. Quem dirias que blocos de pedra e areia se manteriam rijos e íntegros até os dias de hoje.

É chegado o tempo do desembarque final desta curta viagem, do Jabaquara à Vila Madalena, vejo o mix cultural de São Paulo preencher e esvaziar os vagões na mesma intensidade, as pessoas passam e suas impressões e atos ficam. Por mais que eu pense e reflita sobre a vida, as palavras não saem da minha mente insone, a vida se torna efêmera, e eu, apenas mais um que deixo o vagão e sigo a minha marcha imperial para mais um dia na agência.

Preciso dizer que hoje conheci a melhor pessoa da semana, é o Rafael. Além de lindo, ele é fofo, simpático, tem atitude, conteúdo, e, as melhores partes, fez teatro e dança, é vegetariano e também entende dos orixás. E eu adoro essa minha qualidade de amar intensamente pessoas que conheço há poucos momentos, sou assim, intenso e escorpiano. Um beijo.

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