Chapter 2015 – Act 07, Page 30

O mês está acabando, as ferias também, a vida feliz está quase. Se bem que felicidade é inteiramente relativa. O que importa é que tudo passa, tudo muda, tudo volta ao seu lugar. Vamos lá, mais uma manhã no insuportável sistema de transportes público de São Paulo. Sim, ainda me sinto no momento ordinário do meu ser.

Acabo de cruzar com olhos tão intensos que foram capazes de traduzir todos os pensamentos que residiam em mente tão sonhadora. Olhos de desejo, anseio e medo, inocentes e perspicazes, confusos e decididos. Teus olhos me embriagaram e inebriaram meus sentidos, e após cruzar contigo, me dei conta que havia saído do meu trilho. Tamanha beleza em tão densos olhos me fez repensar na linguagem corporal, teus olhos me convidavam, mesmo eu não vendo teu corpo, mas sei que os meus olhos, em tão poucos segundos, corresponderam à altura teu convite. Seríamos nós conhecedores de olhares, ou esta seria apenas uma ironia do destino, uma farsa da vida, um equívoco do tempo?

O que o Tempo teria a dizer sobre tudo isso? Seríamos nós, tão irrefutáveis membros da sociedade, os responsáveis por todas as coincidências? Não. Mas seríamos nós os responsáveis por nossos atos, pois para uma parcela da sociedade, não existe coincidência. As longas e demoradas paradas do metrô de São Paulo me deixam mais pensativo, chego até a pensar que meu intelecto … Depois de ver uma senhora correndo desesperada para conseguir entrar no trem, e eu ter a reação de rir, coloco em voga meu intelecto e chego a pensar que ele não deve ser maior do que o de um rato.

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