Chapter 2015 – Act 11, Page 30

8h01. Me olho nos olhos e nada vejo. Noite mal dormida, sonhos inquietantes com vozes, gritos, tiros, um nome, olhares furtivos, um vulto, muitos mortos. Acordei. De frente ao espelho encaro a minha verdade, é segunda-feira e me recuso a ter vontade de ir à agência que trabalho, ainda mais sabendo que hoje pode ser meu último dia lá. E se for, sairei muito feliz. Chega de abusos, de promessas, de vida infeliz. Chega de tudo isso. Talvez não seja meu último dia, se não, continuarei na busca incessante por outra agência e, até mesmo, cliente. Talvez seja o momento de pegar editais de concursos públicos e começar a estudar. 

8h37. O metrô lotado é tão desanimador quando já não há a vontade de ir à agência. Chegarei hoje e terei que desenvolver todo o projeto cagado e sem briefing, do jeito exato que a atendimento quer, não há como apresentar outra coisa, pois a dona fomenta as atitudes da atendimento. O que dizer, não é mesmo? 

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Chapter 2015 – Act 11, Page 29

Cada pessoa é especial à sua maneira, mas alguns se sobressaem mais que outros. Hoje, fazendo um paralelo entre todos os guris com quem me relacionei, reparo que gosto muito mais do Dee, do que que gostei de qualquer outro guri. É estranho como uma pessoa é capaz de te fazer sentir amada e especial em tão poucas semanas, esse é o diferencial deste jovem e belo príncipe. Galante e simpático, que me faz carícias e chamegos, exalta meu ego e se mostra presente, de corpo e alma. Me arranca suspiros e sorrisos, me deixa feliz como um jovem e tolo apaixonado, se bem que tolo e apaixonado nunca deixei de ser. Quanto ao “jovem”, esse morre lentamente com o passar do tempo. Tempo esse que me assusta e deprime. 

Mais um dia acordo às 7h49, isso me faz pensar que algo está errado e deve ser visto e revisto. Minha intuição diz que isso não está certo, mas não me permite saber o que isso quer dizer. Talvez tenha chego a hora deu repensar a vida e recomeçar tudo outra vez. Sinto que mudanças se aproximam e, pelo meu ver, serão drásticas. Meu tempo, meu pesar. Creio que terei que fazer algo para mudar tudo que vivi, vivo e viverei. 

Me forço a dormir novamente e acordo às 11 horas, já é tempo de ajustar o TCC para fazer a entrega final do mesmo. Não vejo a hora de me livrar deste peso e seguir adiante com os novos rumos da minha vida. Espero, sinceramente que o Dee esteja entre estes novos rumos, ele me faz bem. É impossível não fazer o paralelo entre ele e meu último relacionamento. Vejo que sou muito mais feliz hoje, com tão pouco tempo. 

O tempo passa e a vida continua. Olho para o lado e vejo que estou à altura das tempestades soltas, isso me reconforta e me dá forças para continuar a seguir adiante. Vejo que no futuro haverá céu impávido para nós. Obrigado, Dee

Chapter 2015 – Act 11, Page 26

Certo, acho que chegou o momento de tirar todas as páginas da seção de rascunho e mostrar ao mundo o que se passou pela minha mente efêmera nos últimos dias. 

A última vez que novembro foi tão agitado emocionalmente na minha vida, foi há exatos 23 anos, quando nasci. CARALHO, 23 anos. É oficial, estou velho. Sem Or. Estou velho. Soem as sirenes, os alarmes, as trombetas, estou envelhecendo 😢😔

Pensando melhor, ainda não tirarei as páginas do rascunho, as deixarei guardadas mais um pouco. Ainda há assuntos inacabados e a leitura destas páginas podem mudar o rumo da história. E é com esse pensamento que me despeço. 

Chapter 2015 – Act 11, Page 25

Meu peito clama por algo, não sei o que é, mas o aperto dói. Sigo por entre as pessoas olhando atento para os lados, tenho a impressão de ter visto algo, mas foi apenas minha mente me pregando uma peça. Por falar em peça, haverá capítulos no meu projeto literário que mencionara o jovem príncipe-sapo, seria essa uma tentativa de homenagear aquele que me proporcionou momentos bons e péssimos? Talvez sim, talvez não. Só o tempo poderia dizer. 

Chapter 2015 – Act 11, Page 18

Conheci um guri de olhos enigmáticos no Tinder. Rodrigo. Simpático e galante, interessado nos assuntos que proponho, interessado em me fazer companhia em todos os momentos. Inteligente e perspicaz, isso é muito bom em um rapaz tão jovem quanto eu. Acho que vou gostar de conhecê-lo mais profundamente. Quero assistir Olmo e a Gaivota, talvez ele seja a companhia ideal para ir comigo ao cinema. Vejamos as cenas dos próximos capítulos.