Senhora

William Waterhouse

Sou a negra que grita na senzala,

o grito de dor que assombra teu ser,

a voz que te encanta nos teus piores pesadelos,

a mulher que geme o gozo da dor de não ter escolha.

Sou senhora da minha arrogância,

matrona da minha ignorância e mulher das minhas escolhas.

Sou eu a senhora que grita e venta,

que alimenta teus pensamentos mais sórdidos

que dá azo à tua sagacidade.

Sou mãe da minha jornada,

amo meus amores,

seu sexo e dissabores.

Vento na noite fria, pois sou mulher e rainha.

Sou senhora,

Sou.

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