Chapter 2016 – Act 06, Page 12

Hoje tive o melhor dia dos namorados em anos. Posso dizer que estou realmente amando e sendo amado, e isso é tão incrível. O Rafa é o motivo de tantos sorrisos no meu rosto, pois ele é companheiro e presente na minha vida. Ele é uma pessoa que realmente se importa comigo, à sua maneira, mas é. 

Como dizer que em tão pouco tempo estou tão apaixonado por uma pessoa que se faz cada vez mais presente e importante na minha vida. Não somos o casal perfeito, temos inúmeros pontos de vista diferentes enquanto pessoas e casal, mas estamos dispostos a aprender um com o outro e a fazer dar certo a nossa relação. 

Um ato tão simples como um abraço pode mudar o rumo da história, pode mudar o mundo, pode fazer com que eu me sinta a pessoa mais importante, segura e amada do mundo. Teus olhos castanhos me dizem tantas coisas, ainda vejo a verdade por trás deles, vejo que ainda carregas o mesmo olhar de tantas eras atrás. Tu me dissestes uma coisa que somente tu poderias me dizer, algo que somente nós dois saberíamos. O quão distante estávamos um do outro? Eu sempre soube que tu tinhas voltado antes de mim, e agora estamos juntos novamente. Obrigado por fazer parte de mim novamente, meu belo príncipe. 

Chapter 2016 – Act 05, Page 16

Como uma pessoa consegue ser tão magnética como o Rafael consegue ser? Todo esse magnetismo me fez questionar se eu realmente estava vivendo todos os momentos desta noite ou os fantasiando em minha mente efêmera. Tenho certeza que esses olhos castanhos não me são estranhos, esse sorriso tímido e olhar penetrante não me são estranhos, o toque quente e a voz sedosa me prendem a atenção. Será que tu és quem eu imagino que sejas?! Será que é apenas o tempo me pregando mais uma de suas peças? Sinto-me confortável junto a ti, será que tu sentes também esse conforto junto a mim?

O modo como fala, olha, escuta e pensa é familiar para mim. Espero realmente poder te ver mais e mais vezes para saber se és tu meu belo paladino. O que o futuro nos reserva eu ainda não sei, mas sei que já vejo um futuro ao teu lado, é estranho, eu sei, mas o magnetismo que tu tens é incrível, jovem Rafael, que na verdade é Fernando. 

Um poema. Um toque tímido. Um café quente. Teu sorriso sincero. Teu abraço apertado. Teu olhar esperançoso. Nossas mãos entrelaçadas num rápido momento, o abraço que não queria soltar, tive e ainda tenho vontade de ficar mais e mais minutos abraçado a ti. Obrigado por me proporcionar noite tão incrível em muitos meses. Melhor pessoa para se ter por perto. Espero que tu não te assustes comigo, com o passar do tempo, não esconderei nada de ti, e espero que tu também não escondas nada de mim. Agora que já estou em casa, sentado à cama observando o Lux, ei de me arrumar para dormir. Obrigado por essa noite incrível, meu belo paladino. 

Chapter 2016 – Act 02, Page 13

Quando Padilha diz “não”, não há Mulambo que diga “sim”. 

Por mais que tua amiga indique e diga que pode ser um lugar bom, é a minha frente que irá decidir isso. Nesse caso ela decidiu que não pisarei mais lá, e assim será. Venho de fundamentos diferenciados, de lugares diferenciados, de casas firmadas na luz, assim como os meus guias entro em qualquer buraco se necessário, e foi necessário desta vez. Saí do buraco carregando algumas coisas que não são boas, mas agora estas coisas ruins já estão encaminhadas. 

Não há dia melhor do que gira de esquerda para eu conhecer terreiros, pois os meus guias são incríveis e sem igual. Confio no senso de Padilha tanto quanto confio no meu próprio, sei que o que é dela não é meu, e sei também que se ela diz que ali não é casa para mim, então não será. 

Já ouvi muitas pessoas de santo dizerem: os guias não são teus amigos. Como dizer a essas pessoas que discordo delas, pois tenho uma relação de confiança nos meus. Ambos aprendemos, ambos ensinamos e ambos evoluímos, a vida segue mais feliz é clara de vista desta maneira. Eu preciso deles e eles de mim, simples assim. Eles confiam em mim e eu neles, isso é muito mais que amizade. 

Ouvi de uma Mulambo da casa que os exús e pombogiras não merecem confiança, pois eles cagam na cabeça dos filhos. Bem, fico com dó da médium que recebe entidade com tal pensamento. Meus guias nunca me disseram coisas do gênero, bem como, nunca disseram um palavrão sequer durante sua estada em terra. Nem mesmo minha Mulambo que é desbocada e fala o que quer, falta com respeito com outro alguém. 

Em resumo, não gostei da casa, Padilha odiou o lugar e a falta de respeito ali contida. Sendo eu filho de santo de cabeça feita, fiquei até o final da gira, como manda a cartilha de boa educação dos terreiros, mas não foi pela educação que fiquei, mas para evitar qe todas aquelas Quiumbas me acompanhassem. Penso seriamente se eles se atreveriam a tentar me seguir, estando eu acompanhado de tantos exús e pombogiras que nem eu pude contar todos. Os meus 3 exús e 3 pombogiras de trabalho estavam colados em mim, me guardando e protegendo. Haviam muitos outros com eles e eu ouvia Padilha dizer: fica calmo, tu tens 7 nossos em cada uma das 7 linhas. E assim foi, fiquei calmo e confiante. 

Chapter 2016 – Act 02, Page 10

Ainda extasiado por ter conhecido a pessoa mais incrível do ano, nesse carnaval. Fotze é um cara incrível que me conquistou, hipnotizou e me deixou atraído por ele num grau nunca antes experimentado por mim. Como um guri tão simples e com pensamentos tão incríveis conseguiu me cativar de tal forma? Ainda não sei a resposta.

Acordei cedo com a expectativa de fazer o melhor quibe vegano que já fiz na minha vida, e consegui. Minha motivação: levar comida para o Fotze na Ocupação Ouvidor 163. Preparo tudo e tomo meu banho para levar o rango pro guri, saio de casa por volta das 12h50 e sigo direto para lá. Por volta das 13h30 estou na porta da ocupação. 

Procuro por Fela, mais um apelido do Fotze, pois é assim que ele é conhecido na ocupação. Falo com o Mako e ele não sabe onde o guri está, me deixa subir até o décimo segundo andar, pelas escadas escuras e sujas, chego no andar e nada. Ou estão todos dormindo pesadamente, ou ninguém está em casa. Algo me diz para voltar às 16 horas.

Saio da ocupação e vou ao Little Rock, o meu café predileto que fica na avenida São Luís. Por mais que a minha última ida ao café tenha sido há muito tempo, a Mônica, que hoje é gerente, me reconheceu. Fico muito feliz em saber que sou uma pessoa memorável para alguns. Depois do café, vou para o edifício Martinelli, passar meu tempo como turista na cidade de São Paulo. A vista continua a mesma, mas o olhar está mudado. Já não mais me deslumbro com a amplitude da cidade, mas volto a lente aos detalhes mínimos do piso, abóbodas, janelas e elementos vazados. Focalizo até mesmo o meu passo, cada vez mais largo e esquio. Sou alvo de algumas lentes, as pessoas ainda não se acostumaram com homens usando saia. Meu kilt dança no ar, movimento digno de uma filmagem, o vento refresca minha virilha e ameniza o calor infernal que faz nessa cidade maravilhosa que é cheia de encantos, mas não é Rio de Janeiro.

Do topo do Martinelli penso em voar pela cidade, mas um salto fale me faria alcançar o chão em alguns segundos. Gostaria que o prédio fosse mais alto para os meus dias depressivos. Meu único pensamento hoje é: levar comida para o Fotze. 

Chapter 2016 – Act 01, Page 22

Bem, ir dormir com um “precisamos conversar” não é uma coisa muito legal. A mente fica pensando em 300 mil possibilidades e é tudo fica meio turvo, incerto, estranho. É melhor não pensar muito nisso e deixar tudo rolar e acontecer naturalmente. O Dee é um guri muito fofo e gosta de mim, à sua maneira, mas realmente gosta. Ou, posso estar engano, mais uma vez, enganado. Tudo é incerto. 

Quero é preciso que essas férias forçadas terminem logo, já estou quase enlouquecendo por ter que ficar em casa tanto tempo assim. Agradeço por esse momento de descanso, mas já está na hora de voltar a ter dinheiro. Sinto mais falta de grana do que de trampo propriamente dito. 

Escrevo esses pensamentos enquanto corro na academia do prédio, que tem sido uma excelente aliada nesse tempo monótono de férias. Os dias têm passado tão devagar, tão iguais, tão inexpressivos, que quando olho a avenida em frente ao prédio reflito sobre o movimento da vida. Sobre a rotação do Caronte, a Lua de Sangue e a Azul. 

Queria que tédio estivesse diferente agora, melhor, qe tudo tivesse sido diferente num passado distante. Ou será que não quero nada disso, apenas continuar a correr e seguir em frente sem olhar para trás. Acho que não sei o que quero. Já não sei quem sou. Já sinto o calor do meu sangue aquecendo meu corpo, minhas pernas já seguem sozinhas pelo caminho curto da esteira e tudo está entrando em órbita ao meu redor. O transe está quase a caminho. 

OMG! Já são 16:35 e eu nem me dei conta. Tenho que encontrar o Dee às 17:30 na Consolação, e é óbvio que já estou atrasado. Sempre assim, fico pensando na vida, contando meus botões, assistindo alguma coisa e esqueço do tempo que passa lá fora. Só uma coisa ecoa em minha mente: corre bicha. 

Chegarei à estação Paulista dentro do horario, mas espero que a passagem do Batman esteja fluindo bem nesse horario, espero que seja contra-fluxo (não lembro que leva hífen na nova regra ortográfica, mas foda-se). Espero que o “precisamos conversar” do Dee seja algo bom. Estou me sentindo um garoto rumo ao seu primeiro encontro. Que os deuses estejam comigo. 

Minha intuição nunca falha. Estava certo desde ontem, mas achei muito honesto da parte do Rodrigo de me dizer que não conseguia gostar de mim na mesma intensidade que gostava dele. De todos os homens com quem me relacionei, sem sombra de dúvidas, o Dee foi o melhor. Fico feliz por ter tido ele em minha vida. Mesmo o amando, pois aprendi a amá-lo, o deixo livre para partir e ser feliz. 

Senhora

William Waterhouse

Sou a negra que grita na senzala,

o grito de dor que assombra teu ser,

a voz que te encanta nos teus piores pesadelos,

a mulher que geme o gozo da dor de não ter escolha.

Sou senhora da minha arrogância,

matrona da minha ignorância e mulher das minhas escolhas.

Sou eu a senhora que grita e venta,

que alimenta teus pensamentos mais sórdidos

que dá azo à tua sagacidade.

Sou mãe da minha jornada,

amo meus amores,

seu sexo e dissabores.

Vento na noite fria, pois sou mulher e rainha.

Sou senhora,

Sou.