Chapter 2013 – Act 12, Page 20

E após uma longa jornada de provação e, talvez, amadurecimento, enfim volto pra casa. Sério, fora uma verdadeira provação divina passar esse mês na casa da minha avó, além de termos ideais completamente diferentes, estamos cada um de um lado no tabuleiro da vida, eu querendo ajudá-la a mudar sua vida com todos atos mesquinhos e impensados durante seus quase 80 anos, e ela lutando fortemente para continuar com a futilidade e aparência das situações das quais já não tem mais o controle há tempos. E ambos somos jogadores experientes e hábeis, sabemos jogar com as mesmas peças e conseguimos antever os movimentos do adversário, mas, o fator decisivo deste jogo é a surpresa.

Confesso que construí minha fama de rude e insensível durante longos anos, aquela velha tática de ser respeitado através do receio que as pessoas têm em te contestar, e gosto dessa visão que as pessoas têm. Mas, esse não é o fator surpresa. Uma coisa que a minha avó não sabe, e está suspeitando hoje, é que também sei jogar com os artifícios que ela usa, mas a minha vantagem é que estou com um pé à frente dela, e outro bem atrás dela, basicamente cercada por todos os lados e ângulos, eu consigo deduzir qual será a próxima cartada dela, e ainda tenho tempo de remediar os resultados finais do jogo, e também a conheço há anos.

O que ela realmente não imagina é que ando pelas trevas e pela luz, só assim é que consigo saber o que ele está tramando e qual será seu próximo passo. Sei que essa senhorinha não é lá uma flor que qualquer um deve cheirar, mas hoje ela não é de todo mal assim. Apenas teve algumas desavenças com o destino, das quais quis esquecer e tentar ocultá-las nas sombras. Consigo desvendá-la sem muito esforço, mas preciso de muita força para me defender, me deixo entrar no seu jogo, mas eu é que conduzo as minhas peças no tabuleiro.

Infelizmente não posso ficar aqui para sempre para cuidar dos meus avós, o quadro de saúde do meu avô está melhorando consideravelmente, mas o que realmente me preocupar é a teimosia da minha avó. Ela é ardilosa e trapaceira, mas eu ainda sei alguns dos seus segredos e tenho como evitá-los para proteger a saúde de ambos, há coisas nesse mundo que ninguém poderá explicar, mas que um dia irá compreender. Mesmo estando distante vó, estarei de olho na senhora e no meu avô.

Chapter 2012 – Act 10, Page 07

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Devaneios (a ti, e tão somente a ti)

Se volto a escrever hoje é para ti, e tão somente a ti que minhas palavras mancham a brancura desta página. Longe de tudo, e até mesmo de mim, que consigo reparar o bem que me fazes, o furor que reacendeu em minha alma já sem mais esperanças, a alegria toma conta da minha face séria. Meus dias se tornaram mais claros e as noites também, a felicidade que sempre encontrei nos pequenos detalhes da vida, agora posso enxergar nos grandes.

Me perguntastes o porquê havia eu parado de registrar meus pensamentos, e até mesmo eu fiquei na dúvida da minha resposta, parei de registrá-los, pois, talvez não julgasse mais necessário expor minhas opiniões e conceitos. Na verdade, não parei de escrevê-los, apenas não os divulgo mais. Os pensamentos se registram na imensidão das folhas e são guardados para que um dia possam compor algo grande, um projeto arriscado para um jovem de 20 anos incompletos.

As palavras que outrora me soaram vazias, hoje me pesam na língua como aço prestes a ser fundido, as palavras tomam formas e forças de tamanho e resultados estrondosos. Por mais que eu pareça distante e inatingível, estou ali, ao seu lado e contigo vivendo o momento, apreciando cada segundo. Como dizia Sócrates, “só sei que nada sei”, vou me mantendo vivo para poder contigo viver o amanhã desconhecido, o amanhã que ainda será definido por nós.

São tantas coisas que gostaria de contar para o mundo, mas talvez não seja o momento exato. Sinto a certeza em ti, a confiança e a transparência. É engraçado dizer, mas parece que estou vivendo algo que há muito me foi tirado, é como se tivesse re-encontrado algo que havia perdido e agora posso tê-lo de volta, tocá-lo novamente, amá-lo novamente. Sentir o torpor e o êxtase de viver novamente momentos únicos e diferentes, por incrível que pareça, os nossos momentos foram únicos e especiais para mim, pois completam a complexidade do meu ser, e a do teu também.

Chapter 2012 – Act 06, Page 14

Devaneios – 2012.06.14

Escrever é algo tão sutil que, às vezes, não sinto que estou escrevendo. É como se as palavras fossem surgindo em minha mente e se perpetuando através dos meus dedos, as frases se condensam e meus ouvidos se enchem de vozes que tentam dizer muitas coisas, mas que eu ainda não consigo ouvir com clareza. É como se o silêncio falasse mais do que devesse, é como se as cores se tingissem de tons cinza e morressem por dentro, mas ainda fortes e vibrantes por fora, é como se o mundo não mais existisse, mas ao mesmo tempo seria tão real quanto essas palavras.

Creio que talvez eu possa estar louco ou, no fundo eu saiba que são apenas os ancestrais querendo dizer algo, um recado ou ensinar alguma coisa. Talvez possa ser realmente minha mente devaneando sobre a sinergia constante que há entre luzes e sombras, nos ecos do mundo escuro onde a luz se perde e não brilha, mas apenas se torna algo que não podemos tocar. Será que deve ter alguma ligação estar na luz ou na sombra com os conceitos de uma sociedade marcada por discórdia e guerras? Sei que quando na luz ando, meus olhos se enchem do brilho inebriante da luz, cegando o olhar e não podendo ver nada que esteja fora dela; quando caminho solitário pelas trevas, meus olhos se transformam como os de um felino, posso ver e enxergar tudo que há nas sombras e, principalmente, tudo que há na luz. Coloque-me na dúvida de que, os seres de luz são totalmente prepotentes de achar que não precisam saber o que há nas trevas, pois nunca serão ‘atacados’, e os seres das trevas sentem tanto medo do que a luz pode fazer quando por ela passarem.

Estranha ligação que há entre Luzes e Sombras, sei que a luz projeta a sombra, e a sombra define a luz, porém não consigo ainda compreender quantos e quais são os segredos que há entre tais conceitos. As palavras se vão soltas e perdidas, como se não houvessem mais sentido na frase, ela se desfazem tristes pelo ar rarefeito do meu peito cansado, é impossível manter as portas abertas para fechá-las depois.

Chapter 2012 – Act 02, Page 28

O que mais o irritava – e isto era o que mais o indispunha com o cargo – era inteirar-se de que como representavam com o tridente, guiando como um cocheiro, através dos mares. Entretanto, estava sentado aqui, nas profundidades do mar do mundo e fazia contas ininterruptamente; de vez em quando uma viagem da qual além do mais, quase sempre regressava furioso. Daí que mal havia visto os mares, isso acontecia apenas em suas fugitivas ascensões Olimpio, e não os teria percorrido jamais verdadeiramente. Gostava de dizer que com isso esperava o fim do mundo, que então teria certamente ainda um momento de calma, durante o qual, justo antes do fim, depois de rever a última conta, poderia fazer ainda um rápido giro.

 

[Trecho de Poseidon, Franz Kafka]

Chapter 2012 – Act 01, Page 27

Poseidon estava sentado à sua mesa de trabalho e fazia contas. A administração de todas contas. A administração de todas as águas dava-lhe um trabalho infinito. Poderia dispor de quantas forças auxiliares quisera, e, com efeito, tinhas muitas, mas como tomava seu emprego muito a sério, verificava novamente todas as contas, e assim as forças auxiliares lhe serviam de pouco. Não se pode dizer que o trabalho lhe era agradável e na verdade o realizava unicamente porque lhe tinha sido imposto; tinha-se ocupado, sim, com freqüência, em trabalhos mais alegres, como ele dizia, mas cada vez que se lhe faziam diferentes propostas, revelava-se sempre que, contudo, nada lhes agradava tanto como seu atual emprego. Além do mais era muito difícil encontrar uma outra tarefa para ele. Era impossível designar-lhe um determinado mar; prescindindo de que aqui o trabalho de cálculo não era menor em quantidade, porém em qualidade, o Grande Poseidon não podia ser designado para outro cargo que não comportasse poder. E se lhe oferecia um emprego fora da água, esta única idéia lhe provocava mal-estar, alterava-se seu divino alento e seu férreo torso oscilava. Além do mais, suas queixas não eram tomadas a sério; quando um poderoso tortura, é preciso ajustar-se a ele aparentemente, mesmo na situação mais desprovida de perspectivas. Ninguém pensava verdadeiramente em separar a Poseidon de seu cargo, já que desde as origens tinha sido destinado a ser deus dos mares e aquilo não podia ser modificado.

 

[Trecho de Poseidon, Franz Kafka]

Chapter 2012 – Act 02, Page 26

The Earl, in the delirium of the fever, raved continually of Laura and of Alleyn; they were the sole subjects of his ramblings. Seizing one day the hand of Mary, who sat mournfully by his bed-side, and looking for some time pensively in her face, “weep not, my Laura,” said he, “Malcolm, nor all the powers on earth shall tear you from me; his walls-his guards-what are they? I’ll wrest you from his hold, or perish. I have a friend whose valour will do much for us; — a friend-O! name him not; these are strange times; beware of trusting. I could have given him my very life-but not-I will not name him.” Then starting to the other side of the bed, and looking earnestly towards the door with an expression of sorrow not to be described, “not all the miseries which my worst enemy has heaped upon me; not all the horrors of imprisonment and death, have ever touched my soul with a sting so sharp as thy unfaithfulness.” Mary was so much shocked by this scene, that she left the room and retired to her own apartment to indulge the agony of grief it occasioned.

The situation of the Earl grew daily more alarming; and the fever, which had not yet reached its crisis, kept the hopes and fears of his family suspended. In one of his lucid intervals, addressing himself to the Countess in the most pathetic manner, he requested, that as death might probably soon separate him for ever from her he most loved, he might see Laura once again before he died. She came, and weeping over him, a scene of anguish ensued too poignant for description. He gave her his last vows; she took of him a last look; and with a breaking heart tearing herself away, was carried to Dunbayne in a state of danger little inferior to his.

The agitation he had suffered during this interview, caused a return of phrenzy more violent than any fit he had yet suffered; exhausted by it, he at length sunk into a sleep, which continued without interruption for near four and twenty hours. During this time his repose was quiet and profound, and afforded the Countess and Mary, who watched him alternately, the consolations of hope. When he awoke he was perfectly sensible, and in a very altered state from that he had been in a few hours before. The crisis of the disorder was now past, and from that time it rapidly declined till he was restored to perfect health.

 

[trecho de The Castles of Athlin and Dunbayne, Ann Radcliffe]