Chapter 2014 – Act 10, Page 27

Enfim um tempo para respirar. Segunda-feira, e por incrível que pareça, tenho disposição, ânimo já é outra coisa. Sentir o calor do Sol frio em minha pele quente, enquanto observo as pessoas em seus rituais matinais, é quase experiência desagradável. Sentado no vagão, vejo a vida passar em reticências, todos com suas singularidades, há os que comem pão de queijo, os que degustam uma coxinha, os que apreciam o jejum, ainda aqueles, que como eu, tomam seu achocolatado matinal em um super copo com canudo. Meu lindo copo de vaquinha da inveja em muitas crianças, e quem disse que eu também não posso ser criança?
Olho pela janela do vagão, e apenas a sórdida escuridão se reflete diante dos meus fatigados olhos, que ardem e teimam em fechar, a luta entre mágica e lógica, corpo e mente, continua. Estaria minha mente doente, ou estaria ela se recuperando? Há algum tempo que ela está voltando ao seu ritmo natural, sendo a senhora do corpo, é verdadeiramente vivendo. Já não me prendo mais às amarras do destino e muito menos aos protocolos sociais, que nos ordenam viver de determinadas maneiras. Consegui chegar ao nível de desapego que dá base e acesso a outros níveis. E fico feliz com esta mudança, isso significa que estou evoluindo, enquanto ser, enquanto humano, enquanto mago, enquanto vida.

Chapter 2014 – Act 10, Page 09

“Eu sei quem são as melhores pessoas do mundo. Eu não tenho nada contra os outros dois jogos da primeira fase da competição entre as pessoas que não têm certeza de que não se trata de um vídeo.” Confesso que foi divertido criar frase usando o novo texto inteligente do iPhone. Essa atualização para o iOS 8 até que tem suas vantagens.
Olho ao meu redor e o que vejo? Nada mais além de cinzas, vazio, dor e solidão. A minha frente, um skate, ao meu lado, um casal. Há uma garota guardando sua coleção de rolas, um rapaz excitado com um vídeo pornô, um outro guri curtindo seu som, um senhor analisando seu aplicativo de “caça”, e o melhor foi o sorriso dele ao ver a minha foto nas proximidades. Talvez ele venha falar comigo, mas o bom é que tenho o truque do cabelo, ele está solto hoje, na foto ele está preso num coque, que dá a impressão de que não tenho cabelo na foto. E eu, bem, estou aqui sentado vos escrevendo mais essa página de um longo ato. Décimo ato do capítulo 2014, tenho a esperança de que alguém continue a escrever os capítulos quando eu já não mais puder.
Escrever e registrar tudo. Hoje é esse o meu propósito, e devo lembrar que até há pouco estava eu fazendo trabalho da faculdade com o Cleiton e a Ariane no Okka, um barzinho que tem perto da faculdade. Todos nós na neurose de finalizarmos os trabalhos e afins. Cansaço, é isso que sentimos hoje é agora, precisamos dormir e também finalizar tudo isso, e amanhã terei cerca de 2 horas para fechar tudo que precisamos. Espero que conseguiremos fazer tudo, de forma prática, rápida e eficaz. Enfim, agora já na perua indo para casa, no silêncio e sentado, observando a vida passar morna pela janela fria.

Chapter 2014 – Act 10, Page 06

E aí eu descubro que hoje é segunda-feira e que meu esforço de passar mais um ciclo sem dormir valeu a pena. Os aplausos e os olhares de fascínio e inveja tomaram conta da sala. O fascínio foi muito mais imponente do que a inveja de algumas pessoas, e isso me basta. Sinto agora a necessidade de dormir, de enfim descansar, sinto também a necessidade de morar mais próximo da civilização, e quando digo isso, me refiro aos sentimentos que tomam conta de mim, me sinto completamente desligado do mundo onde eu moro. Levo cerca de uma hora de casa para o centro de São Paulo, e vice-versa. Adoraria morar mais próximo, minha vida se resume ao centro.
Olho as pessoas ao meu redor, o bocejo me embriaga, o valendo do vagão embala meu corpo. Gostaria de narrar o que sinto, mas agora quem ditará o tom dessa narração será o teu olho, aliado à tua concepção. Vejo desde o mais simples, até o maior. Vejo tudo e todos, e ainda vejo aqueles que se escondem no túnel da estação Liberdade do metrô. Talvez eu seja louco, e assim seria melhor, pois nada daquilo do que vejo seria real, nada daquilo que escuto seria ouvido, nada mais me faria sentido. Mas, o que é sentido? É aquela sensação de compreensão que nos ditaram quando pequenos? Não se pode comprar o tempo, o sol, a alegria e, muito menos, as dores. Não se comprar nada. Nada.
Se eu parasse agora de escrever, me tornaria apenas mais um na crescente massa. Acompanhei o resultado das eleições deste ano e fiquei pasmo com todas as incoerências que ocorrem nesta vida. Teremos mais 4 anos de governo opressor e de péssima administração, já temos uma das polícias mais violentas do mundo, e tu sabes disso, sabes tanto disso que ficou indignada quando leu nos jornais que a polícia matou, mas aí vem o acompanhamento midiático que diz que o polícia de São Paulo matou um vagabundo. Mas uma vida vale menos que a outra? O que faz a vida de uma pessoa valer menos ou mais do que a vida de outra pessoa, de outro inseto, de outro animal? Tenhamos senso meus senhores. Deixemos de lado as nossas diferenças e vamos em frente buscando mudar aquilo que não nos pertence mais. Vamos, lutemos e mudemos, afinal, tu também almeja um futuro melhor para os teus filhos e netos, ou não?

Chapter 2014 – Act 08, Page 31

O que tenho a dizer sobre hoje? Primeiramente que nunca iria me perdoar se não registrasse esse dia, pois traduz uma coisa que nunca havia feito antes, viajar de ônibus de São Paulo ao Rio de Janeiro com o grupo de dança. Todas as vezes anteriores que viajei por esse Brasil foram de avião, exceto quando vou para a casa dos meus avós, pois não há aeroporto e fica apenas há menos de 1 hora de São Paulo, e segundo minha avó eles têm qualidade de vida morando no litoral. Ah, onde estava mesmo? Eu e essa minha mania de me perder nos pensamentos e ser multitarefa. Passar cerca de 6 horas na estrada que liga os dois estados não foi tão ruim quanto imaginava, primeiro porque eu dormi a maior parte do tempo de ida, segundo porque a qualidade da rodovia não estava tão ruim quanto ouvi falar, poderia ser melhor isso é fato.
Enfim chegamos a Nova Iguaçu e no espaço do evento. Gostaria eu de ter ido de avião no sábado de manhã, curtido o visual carioca, pousado em algum hotel e partido para o Rio Sampa no domingo de manhã, mas as minhas limitações financeiras e a do restante do grupo não permitiu tal empreitada. A segurança é a melhor companheira nessas horas, e eu estava bem confiante hoje, afinal sou bom no que faço e no que me proponho a fazer.

Chapter 2014 – Act 08, Page 27

Diga-me o que queres ouvir, que lhe direi tudo o que quiserdes saber. Mas só hoje, e só agora. Não é sempre que oportunidades como essa surgem diante teus ouvidos, aproveite caro desconhecido que transita na estação Liberdade do metrô. Sei que podes me ouvir, me ver e me sentir, assim como eu também posso. Se fossemos todos do mesmo plano, a conversa seria diferente, mas estamos distanciados pelo véu.
Oportunidades circundam todos nós, já tiverdes as tuas, e ainda tens algumas outras, aproveite-as e não se limite apenas a viver aquilo que lhe condicionaram. Você não é aquilo que lhe disseram que és, tu és, na verdade, aquilo que ainda precisas descobrir. Confuso? Nem tanto. Se olhares para você mesmo e se questionar sobre a vida, a morte, o direcionamento das coisas e todos os sentidos, significados e significantes, talvez descobrirá quem verdadeiramente és. Hoje sei quem sou, mas um dia também me perdi dentre tantas explicações ilógicas e insensatas, segundo a minha concepção pagã. E foi essa concepção pagã, aliada ao convívio familiar que não era rigorosamente cristão, que consegui a compreensão exata de tudo aquilo que me circunda. E quer saber o que realmente penso sobre tudo isso? Não vem ao caso agora, pois o que penso pode influenciar seus pensamentos e compreensão dos fatos.
Quero te fazer pensar, quero te fazer sair da “zona de conforto”, quero que andes com tuas próprias pernas para onde tu quiseres, sem o peso moral lhe dizendo que esse caminho não é aconselhado, pois se o seguir será socialmente rotulado como isso ou aquilo. Quero que os rótulos sociais se fodam, que a moral seja revista, que a ética seja remodelada e que o mundo seja livre. Mas, se assim fosse, deixaria de ser Mundo e se transformaria na minha humilde e amada utopia particular. No meu Mundo, tudo é utópico socialmente. No meu Mundo. Meu Mundo. Mundo.

Chapter 2014 – Act 08, Page 26

Solidão, isso é tudo que sinto quando chego na estação Jabaquara. Por mais que milhares de pessoas passem apressadas por aqui, e eu sou uma delas, me sinto tão só. A paisagem bucólica de uma noite quente, com umedecido pela última chuva e algumas nuvens ainda com água, intensifica ainda mais essa sensação de solidão. Por mais que eu saiba que posso ser uma legião em um só homem, sei ainda que a solidão acomete a todos, sem distinção de hierarquias ou graus de evolução.
Falando em evolução, já está na hora deu voltar à base da montanha e peregrinar até seu cume novamente. Não posso mais continuar no caminho do conhecimento se me distanciei do caminho da deusa, tenho que voltar novamente à base e ganhar o respeito dos elementais para então continuar a jornada. E essa peregrinação começará hoje. Já estou sem tempo, quis postergar esse momento me agarrando fortemente às raízes das frondosas árvores do caminho, mas agora ei de descer e subir. Mas, será que sou capaz de me lembrar do primeiro ensinamento dos deuses? São tantas coisas para lembrar e tantas coisas para reaprender, que já não sei se sou tão capaz assim de voltar.
Lembro-me de um tempo no qual essa subida ao cume não era ideológica, mas sim real. Lembro-me de ficar à mercê da natureza e dos elementais, se eles me ajudassem a subir e me ensinassem pelo caminho, teria então eu passado nos testes e poderia então assumir meu posto. E assim foi por muitas vezes, lembro-me exatamente como era o caminho e seus pontos de descanso, era como se outros antes de mim tivessem preparado tais lugares para servirem de pouso aos próximos. Lhes agradeço. Se ao menos pudesse eu novamente me manter a mercê dos deuses na escalada, acho que seria mais fácil do que encontrar tal escalada ideológica nessa selva de pedra. Mas eu sempre soube que esse era o desafio, encontrar a natureza na cidade. E esse insight tive há poucos anos, quando me deparei que tudo é natural, então há natureza em tudo. O problema é o que o homem (também natureza) fez com tudo aquilo que é natural, basicamente destruiu para dar vazão à sua ignorância.
Os tempos mudaram, e já também não somos mais os mesmo. Devemos aprender com as mudanças, e ensinar os velhos conceitos aos novos homens, somos nós agora que temos que lutar novamente contra a ignorância e a injustiça. Mas me pergunto todos os dias se somos realmente capazes de assim fazer, somos tão poucos. E agora tu compreendes o porquê ei de voltar à base e galgar novamente o caminho do aprendizado natural, pois quando eu chegar novamente no cume, não me terei tais dúvidas. Lembro-me de tempos em que eu não tinha dúvidas como essa, e “sozinho” era capaz de ir contra milhares de homens. Bons tempos que já não voltam mais.

Chapter 2014 – Act 08, Page 20

Tu é relativo. Nada é concreto, e isso se concretizou quando eu descobri que o concreto, famoso por sua rigidez e fixação, na verdade, não é sólido e está em constante movimento, segundo o ponto de vista da física. Sempre que me pego pensando nessas coisas tão lógicas, me pergunto se eu realmente deveria pensar nisso. Confesso que não tenho muito interesse em números, mas eles são essenciais para a vida, mesmo que subjetivos nas contagens mentais. Ah, como parar de pensar e desencadear esses pensamentos quando iniciados? Como pensar em tudo, quando não há nada para pensar?
Por favor vida, dê-me outra oportunidade, mas desta vez sejais um pouco mais legal comigo. Se eu pensar pelo ângulo que sempre analiso as coisas, vejo que não tenho do que reclamar, afinal de contas, tudo podia ser pior do que está hoje. Não quero parar para pensar nisso agora, aliás não quero pensar em nada agora, exceto no meu banho de imersão, que não terei essa noite pois há alguns anos já não tenho mais banheira no meu quarto, aliás, não tenho mais um quarto só meu, muito menos um quarto com banheiro. Dinheiro possibilita muitas coisas boas na vida, alguns luxos que julgo essenciais, e até mesmo … Já não lembro mais o que iria dizer.
Vejo casais se amando, observo a aura ao seu redor, vejo a diluição dos sentimentos e a solidificação das almas. Mas nada disso é concreto. Paro novamente para pensar que nada disso é real e que tudo pode ser apenas uma ilusão minha, minha eterna utopia particular. Gostaria eu de viver na minha utopia sem danos externos, mas o nome que dão à utopia particular é autismo, ou esquizofrenia, ou qualquer outro nome que designam como doença. Doentes são aqueles que vivem como alguém os mandou viver, esses sim precisam de tratamento e experiências para curtir e aproveitar as delícias de um momento único, e também as oportunidades que sua própria utopia pode proporcionar. Quero voltar a viver como alguns anos atrás, e quando digo anos eu quero dizer séculos e até mesmo milênios. Mas aí olho para o hoje, e percebo que muito mudou, mas nem tudo está diferente. Creio que houve uma involução no homem, que agora pensa de maneira completamente diferente de antigamente, o homem de hoje segrega e exclui, enquanto o homem de antes incluía a todos dentro de suas próprias exclusões. E o que pensar da vida? Não sei, já não quero mais pensar por hoje, quero apenas descansar, nem que para isso eu tenha que fugir do mundo por uma noite. E assim o farei. Mãe, por favor, me chame de volta por hoje, preciso ver a água do lago novamente e sentir as brumas me envolverem por completo, preciso do contato mágico a essência da vida para compreender novamente minha existência.